Fevereiro de 2006
sábado, 19 de
fevereiro
Hei de
abocanhar-te
um beijo
Haja saúde
para
nosso
fast-food
“Lágrimas nos olhos de cortar
cebola...”
O pranto
seque
no pano
de prato
quarta-feira, 8 de
fevereiro
Vês esta pedra?
Pranteia-a
em ti
É
lápide
do
não-existir
do
estar
sem
ir
Fincada
fica
sólida
sem
de si
se
aluir
impossibilitada
até
de desistir
De papel de seda
fez
papai colorida pipa
Linha
e vento à solta
com
saltitante leveza
eu
não olhava para o céu
-
só identificava o meu objeto
ganhando
altura
Contentamento
e emoção
Linha
à imaginação
Voávamos
Ê
imensidão
sábado, 4 de fevereiro
A quem amar?
Como é o amor?
Externar
o interior?
Revelar
o sonhador?
Ou interpretar?
Ser ator?
Ocultar
ou se expor?
Cegar?
Ser observador?
Dar
merecedor?
Ganhar
doador?
Para amar
dê amor.
Enjoando Vinícius
“Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!”
Mas se os temos,
adeus cabelos.
sexta-feira, 3 de fevereiro
Perder-me em nós e em mim.
Perder-me
comigo e em ti.
Perder-me
só e em sonhos.
Perder-me
triste e em noites.
Perder-me
aqui e em lugar nenhum.
Perder-me
eu e em meu ser ficar.
Perder-me para nunca contigo estar.
Perca-me e encontra-te.
Perdendo-me
te encontrarás.
Achar-me-ei
estando sem ti.
Que só me
acho buscando
perder o
que jamais possuí.
Não te
tive e se me tiveste,
tiveste,
não me tens mais.
Acha em
ti o que em mim
foi
sempre e hoje é jamais,
foi bom e
ruim e no fim
te deu e
tirou-me a paz.
Para ti, bem sei, fica assim,
tanto fez como tanto faz.
O
que se diz fragilidade
é em verdade e com
certeza
a minha simplicidade
ocultando uma fortaleza
Eu que choro com
facilidade
no íntimo sou dureza
Assim sou por
necessidade
Sou assim por natureza
Fevereiro de 2005
quinta-feira, 24 de fevereiro
Quando ela monta
em meu
dorso
me amansa
sou
outro
Ela gira
toda tonta
em sôfrego
esforço
Pula
galopa dança
esporeia seu potro
Então
tua alma
quer ir embora?
O corpo acalma
Vê se não chora
E nada de trauma
Deixe-a ir – ora!
Leve a palma
apesar do fora
Muita calma
nessa hora
quarta-feira, 23 de fevereiro
Como
toda gata moderna
físicos
cuidados externa
Sarada
dietética
light estética
faz
a lânguida magrela
essa
anêmica observação:
“O
corpo é a casa da bela!”
(Aparência
é sua obsessão)
Um
dos pretensos admiradores
e
como crítico de interiores
levanto
a seguinte questão:
“O
cérebro e o coração
fazem
parte da decoração
deste
seu corpo-mansão?”
Ela
se vai – na dela
sem
dizer sim nem não
E
exibida faz passarela
da calçada do Areião
segunda-feira, 21 de fevereiro
Não quebres o gelo.
Arregala teu sol.
Vais derretê-lo.
Mar tem
margem
também
domingo, 20
de fevereiro
nada
on line
tudo
in loco
sábado, 19 de fevereiro
mantenha limpa a cidade
não jogue conversa fora
o incrível
até
que não foi
andar
sobre as águas
-
eu não molhei os pés
sol a pino
e eu
em parafuso
dia mais
para os pequenos
dia menos
para os maiorais
demais
somenos
se a centopéia
tem cento e tantos pés?
não estou a par
não faço a menor idéia
quem tem boca
não se olham os dentes
quem não tem
caça com gato
eu te
busquei
e quando te encontrei
baqueei
estavas toda rebuscada
embasbaquei
sexta-feira, 18 de fevereiro
ando o dia todo
buscando-te no todo
eu – não um todo
quase-semi-meio-todo
por inteiro mas não de todo
incompleto ao todo
integrante do todo
tudo sendo pelo todo
todo dia indo e vindo o dia todo
eu vou – todo todo
se te encontro e em ti estará o todo
e sendo eu teu ficarei todo
pois és tu meu eu sou-te num todo
e juntos somos somamos um todo
acaso em si
a luz se esgota?
ou brota de ti
um Sol – a nota
na partitura
da face escura
do som sem rota?
teu corpo deseja?
ecoa a luz e viceja
tu’alma é grande?
a luz se expande
em ti se despeja
e benfazeja
me abrange
extremamente
paradoxal
ou sou açúcar
ou sal
não sei
ser morno
ou estou
no congelador
ou no forno
a dúvida está
entre exclamação
ou interrogação
qual utilizar?
a que ponto
chegar?
não
falo de silêncio
pois
se o ouço
ele
diz tudo
o
silêncio bota a boca
no
mundo
o
silêncio mete a língua
no
escuro
(puro
eco do barulho)
o
silêncio põe lábia
no
mudo
o
silêncio é mais grave
que
agudo
o
silêncio é rústico
acústico
e surdo
o
silêncio é invisível
e
nele me escudo
em
silêncio me iludo
em
silêncio me ajudo
em
silêncio vos escuto
em
silêncio me acudo
sou
silente não sisudo
em
silêncio me estudo
endurecerse hay
pero con la ternura
de uno hay-kay
o tempo pede
um tempo cede
um tempo mede
o tempo perde
tempo
dentro
de ti
entro
em
forma de luz
um
facho
um
raio
uma
réstia
um
ponto
um
feixe
e
és um farol
ou
mais
és
o sol
amar-te
quanta solidão
tanta
extrema
extravasa
não cabe no poema
amando-te
habito o silêncio
todos os sons de mim
represados
gritos sentidos não-ditos
só pensados
e este jardim no asfalto
não vês?
quão impetuosas
são essas flores brancas
e vermelhas
brotando das fendas
transgredindo a dureza
dando o ar da graça
com a simplicidade
sensível
de inefável beleza?
rompe também tu
a crosta de tua couraça
e com teu corpo só alma
me abraça
com aromas de calma
acariciarei tuas pétalas
espalharei teus pólens
sobre a massa asfáltica
para que novas flores
com outras cores
insistam persistam
resistam neste jardim
sem-fim sem ti
em mim
quinta-feira, 17 de fevereiro
coisinha
deixa de ser
complicada
please
veste a sainha
plissada
com a blusa
de alcinha
decotada
que gracinha
doce amada
minh’aluninha
aplicada
metalurgiamorosa
1)
lançarei míssil
fálus phállus
ogiva na ponta
explodirei
tua vulcânica
cratera
rachadura
vergalhão
magma
lava
ovulação
abalos
estalos
regalos
fecundação
2)
qual fênix
pousarás
à sombra
de meu vulcão
te aconchegarás
ou para tua extinção
ou para tua erupção
mas fogosa como és
ardente como estás
a segunda opção
febril escolherás
cinza sobre brasas
afoita soprarás
comigo te deitarás
céu e chão
tua pele:
tecido fino
os poros:
florzinhas
salpicadas
na extensão
sensível
desse pano
de suavidade
que te cobre
de cores
aromas
e beleza
colho-as
em afagos
para teu banho
de noiva
antes da festa
de nós dois
para quê sair à noite
para contar estrelas?
já perdi as contas
de quantas em teus olhos
dei de vê-las
e ao capturá-las
em tuas retinas retive-as
para tocá-las surpreendê-las
retocadas ao sol
em tuas iris pintadas
aprendi a prendê-las
são amarelas azuis
brancas invisíveis
cintilam infinitas
faíscas vermelhas
hei de soltá-las
soletrá-las
e no céu de teu olhar
colhê-las
e a ti me revelando
conhecê-las
melhor que contá-las
é sabê-las em ti
e tê-las
em teu cio
me vicio
teu repasto
me basto
nossa fome
nos come
endurece
umedece
dure
um
mede
desce
end
coisa da cabeça
de um sonhador
pura imaginação
nada de coração
mais que pareça
isso não é amor
é sexo e piração
ele
lambe
ela
lambuza
ela
sussurra
ele
urra
ele
delira
ela
dele
ela
elo
ele
leal
ambos
bambos
molambos
qual
pássaro
de afiado bico
sugar-te
com arte
embebedar-me
dar-me
(varão
ao sol de verão)
ao estonteante
néctar
de tua flor
de luar
primaveril
quarta-feira, 16 de fevereiro
pode pisar em mim
sua exibida
lépida passeia
em meu corpo
faz um bundchen
em minha vida
pesquise
entenda a lágrima
aquosa secreção
saudade líquida
dor em gotícula
paixão intrínseca
emoção íntima
conjunção úmida
de meu olhar
sem o teu
consulte cristalina
fonte:
olho d’água
jogo
os dados
sempre
dá um
p/ Ana Lúcia
não fica
me olhando
de frente
ou de longe
vem me ver
dentro de mim
e se veja
comigo
me vendo
contigo
terça-feira, 15 de fevereiro
agite
não
se debilite
se
habilite
aguce
o apetite
sonhe
com brad pitt
perca
o limite
protele
essa gastrite
grite
use
o nick brigite
dê
rolês pela city
o
quê? labirintite?
sexo?
tenha seu kit
seja
on ou seja it
penetre
na elite
zoe
na fenit
não
recuse convite
durma
numa suíte
do
motel afrodite
não
se omita palpite
se
dê muito se excite
e por favor me evite
olhar marejado
em teus
desvarios
aprisionado
encalhado
naufragado
a ver
navios
em pleno
cerrado
não me abandona
que sem ti
fico sem
dona