Janeiro de 2006

 

sexta-feira, 27 de janeiro

Não danço tango

Não danço mambo

Fox-trot não danço

Não danço samba

Não danço valsa

Não danço salsa

Carimbó não danço

Não danço rock

Não danço funck

Hip hop não danço

Flamenco não danço

Lambada não danço

Lundu não danço

Maxixe não danço

Ballet não danço

Nem quadrilha

Nem sapateado

Não danço

Não danço

Não

 

O sol

acende o fogo

em seu rol

Ardente

é o círculo

envolvente

 

Ela se foi

alheia

ao rumo

de ir

Seguir

é seu modo

de partir

Seu estar

é chegar

para existir

 

Para bem amar

sê mais

que todo ar

Se dê

sem ar

Pra quê

respirar?

 

Hoje estou para ser

eu

- mais meu

Sempre tive o querer

do que a ti se deu

e em mim era teu

pois se perdeu

o que de mim em ti

te preencheu

e não te pertenceu

 

quinta-feira, 26 de janeiro

Não estou para ninguém.

Digam que saí, viajei, sumi

ou então que estou bem.

Só não digam que morri

que assim não ouvirão alguém

suspirando baixinho: amém.

 

Mina

não de minério

Nem de onde se garimpa

precioso mineral

ou algum nobre metal

Mas mina (olho d'água)

- de fonte/matriz sensível –

donde mina potável

uma lágrima insaciável

 

Na rua da insônia

na praça dos notívagos

junto ao coreto dos boêmios

reunia-se a turma do sereno

 

Eram dias felizes

(ou melhor: noites)

que décadas de manhãs

deixaram para trás 

 

No teclado

letras escolhidas

a dedos

 

Do casulo

ao vôo

a larva

se metamorfoseia

livre e leve

e vive - no breve

tudo que anseia

 

Indizível

(meia palavra)

Indivisível

(basta)

 

Enquanto estréias

ensaio

E se jogas

treino

Assim ficamos:

unidos

empatamos

 

segunda-feira, 2 de janeiro

O AMOR (Para quem sonha amar e ser amada)

 

O amor: inventar, criar ou descobrir?

Como se revela o amor? Por si só

ou por tanto nele se insistir?

O amor vem ou atrás dele se corre?

O amor tromba? Atrai? Atropela?

Ou fica quieto à espreita, à espera?

Como agir com o amor? Para tê-lo,

dá-lo, recebê-lo, achá-lo, merecê-lo?

Será o amor uma entidade superior?

M'explica, m'ensina, me diz

como fazer para gozar do amor

o direito e o prazer de ser feliz?

 

domingo, 1º de janeiro de 2006

Múltipla escolha-me

para ti

que sou tantos em mim

sendo somente teu

muitos para não te dizer

só em todos

eu

 

Meu Deus, quem diria

que um dia eu perderia

a fé na felicidade.

Justo eu que tanto a sentia,

hoje, no ritual da saudade,

ouvindo sua homilia

não sei da missa a metade.

(Felicidade é poesia?)

 

Deu tilt?

Ctrl

Alt

 

Janeiro de 2005

 

segunda-feira, 31 de janeiro

não com carícias

que o platônico amor

não permite

a distância

impõe limite

mas sentindo

pensando

curtindo

imaginando

quão lindo

será quando

eu indo

tu esperando

sorrindo

cantando

se abrindo

me dando

gozando

então o platônico

será homérico

 

faz falta em mim

um eu outro e não outro eu

que seja como sou e não assim

como vivo sem ser

ser vivo que é

pelo sim

não

 

dou-te essas rosas 

imaginárias

ou preferes em realidade

as que murcham?

dessas o perfume

sentes o desejado

e não o que por elas

é em verdade exalado

essas uma vez colhidas

enfeitam breves

e em vasos jazem

ressequidas

aceita pois as minhas

(com elas não te espinhas)

farei de teu corpo jardim

livre de ervas daninhas

- sim? 

 

domingo, 30 de janeiro

miniaturasminiaturas

nós

pós-tudo

póstumos

túmulos

chorumes

pós

 

se não ama

põe o pijama

deita na cama

da enfermaria

depois levanta

e toma banho

de sol e ducha

de água fria

volta pro quarto

olha no espelho

e veja o quanto

pior seria

amar alguém

que nunca nunca

ao amor dado 

valor daria

saia um pouco

se apresente

- muito prazer

- ah eu amaria

 

planto no ar

colho no infinito

frutos imaginários

para fome inexistente

 

½  d  ú  z  i  a

2/d

3/ú

4/z

5/i

6/a

 

não uma palavra

nem um milhar de

mas uma imagem

expressando-se em imagem

traduzindo seu visual dizer

em mil valências

sobre o escrever

 

coração

do tamanho

de um diamante

não

diamante

com as medidas

de um coração

não

coração

qual diamante

em proporção

 

sem nau       

         naufragas

       sem fragata

         naufragas

    ou nadas

          ou tragas águas

 

não sou teu príncipe

sonhado sarado

paramentado

em cavalo alado

montado

não passo de um homo

s a p i e n s

desencantado

a pé (pé rapado)

um cavalo dado

mas ela tem cavalgado

e qual rainha tem reinado

 

te dei palavras

para tudo dizeres 

não quiseste diálogo

peguei meu silêncio

e então escrevo

e nesse monólogo

me atrevo

a contigo falar

se me leres

 

é muito fundo

(ou não tem fundura?)

o abismo em espiral

da loucura

do mundo

em contagem final

 

a gravidez

é claridez

é lucidez

pois nus

vêm à luz

bebês

 

eu literalmente babo

ante a bela flor

de quiabo

 

para que gozes

primaveras

olho-te

escolho-te

acolho-te

molho-te

colho-te

desfolho-te

recolho-te

então refloresce

a estação de teu cio

 

é de unhas e dentes

a tua luta do dia a dia  

contra a onicofagia

se dói por que rói?

 

quinta-feira, 27 de janeiro

e, no entanto, Goiânia inspira

Goiânia encanta tanto

- menina que insinua paixões

em seu desfilar de lindezas

se mirando vaidosa em espelhos

de olhos faces e risos

de suas formosas filhas

maravilhadas miragens

deusas femininíssimas

santificadas meninas  

Goiânia de timidez se veste

faceira brejeira e fashion

cabrochinha universal

da grife simplicidade

Goiânia sol ao luar 

- encantado senhorita

por ti que és tão singela