nunca na
alma
machucou
muito
uma exposta ferida
tão funda e sentida
mas não dói mais
- e o que doeu
não doía na alma
não doía na alma
não doía na alma
foi
dolorosa
uma crúcis dolorida
de doença amorosa
e ainda que doesse na vida
consegui levar a palma
não deixei doer na alma
não deixei doer na alma
não deixei doer na alma
aplaca a
tua dor
serena o sentir
mantém a calma
deixa o todo de tudo fluir
torna indolor o trauma
e cura tua doída alma
cura tua doída alma
tua doída alma
e aprenda
és linda
sou lenda
estás vendo
sou venda
és sonda
sou senda
estás in
e eu end
tudo azul
e eu no escuro
em tons
de mim
desluz
perdi a chave
- não importa
não há casa
nessa porta
ver-me
em vida
ou
verme
na morte
meu silêncio
fala pelo pensamento
propaga sua linguagem
na interpretação do vento
o pão nosso
de pada
ria
nos comprai hoje
diante do fruto
p r o i b i d o
disse à Eva a cobra
- mãos à obra
no fim
o não
é o apocalipsim
do sim
um dia
é da caça
o outro
da escassez
após
há pó
és pós
e só
a morte
bate à tua porta
- atende!
ela não é bem-vinda
mas pode não ser
o the end
ainda
ao chegar ao futuro
eras inexistente
uma sombra somente
sem meu amor
como abrigo
estou sem olhos
hoje não sinto
quisera eu ser
mas não és
te olhar não consigo
indústria de lirismo
eu
artesão da palavra
estou apertado de serviço
e minha oficina mal me comporta
muitos
versos por fazer
obras por acabar
no alicerce e em arremates
idéias
em jogos cerebrais
sentimentos no coração
parafernália de textos e expressões
escrevo
dia e noite
plagio meu próprio original
metaforizo com simples dizer
eu
poeta interiorano
planto imagens para leitura
no quintal de olhos e mentes
pego
a laço meus poemas
campeando-os na imensidão
que é estar dentro de mim
são
produtos manufaturados
da linha de montagem p o é t i c a
da fábrica flavioalmeidiana
agora
por exemplo trabalho
numa série de poemínimos de amor
que nem tenho tempo pra ti meu bem
carteiro certeiro
o e-mail é ligeiro
mas não chega
pelas mãos do carteiro
em envelope lacrado
- depois de longa viagem
endereçado selado
ansiado rasgado
dentro papel com mensagem
vem de ônibus no bagageiro
per avion em malote
e é tão romanticote
a chegada do mensageiro
quando à porta bate
ao fundo cachorro late
au au au au au au
tudo bem o e-mail
mas carta pelo correio
tem um tom sentimental
já fui paciente e mais tradicional
mais chegado ao romantismo
rendi-me ao imediatismo
sou um apressado virtual
meu nickname meu login
minha secreta senha de acesso
não tenho cep tenho arroba
meu endereço é ponto com
a Internet nos destina e remete
e a carta chega veloz lá em casa
não pelo portão mas pelo portal
letras
mortas
quero ser da academia
brasileira
de caligrafia
tentando entender
ela
me entende
ou talvez finge
ou se rende
aos dez encantos
de meus mistérios
e me surpreende
seu olhar de esfinge
tentando decifrar
meus enigmas
quebrar paradigmas
de minha alma em solidão
com seus vários estigmas
de meu eu só
só meu
ou seu
ou não
DE MAL DE BEM DE BEM DE MAL
AMOR É UMA COISA UM TRECO UM TROÇO
MAS SEM ELE NÃO POSSO
NEM REZAR UM PAI NOSSO
não e não ao não
não se perca na luz da cegueira
de quem te vê à sombra e em silêncio
não tolere as dores anestesiadas
na mágoa de saber-se esquecida e só
não se revele ao sonho de irrealidade
a iludir-te com promessas de amanhãs
não temas a caminhada de ir ou estar
querer retomar retornar renovar recuar
não se limite ao prazer seguido de
lágrimas
em gangorra de mental sentir e consentir
não se deixe levar pela dor de curvar o
arco
da solidão que tua humildade em vão triunfou
não deixes tua luz desenhar traços
neutros
e sobretudo evite dizer ouvir pensar em não
rima rima
como sou meu verso é
de pé quebrado pobre de rima
a auto-estima em parangolé
em marcha a ré ladeira acima
meu verso é como sou
se vou ele vem como quem vai
se cai ali logo já se alevantou
e alavancou o meu ai ai ai
sou como é meu verso
perverso diante da inspiração
o não é meu lema de ser adverso
imerso nessa desconstrução
como é verso sou meu
um eu lírico metido a bacana
dando banana se cacho deu
colheu comeu bagaço e cana
é verso meu sou como
domo o corcel e estou muntado
agigantado tal qual gnomo
ou rei momo num spa sentado
rima rima como vai minha prima?
em cima e como vão vovó e titia?
na academia aprendendo esgrima
minha estima às duas boa guria
como se vê meu verso é babaca
quem saca o panaca o é também
e se ninguém lhe fecha a matraca
solta a macaca e aí, amém
rimar é fácil difícil é o sentido
que o atrevido poeta faz blague
não trague a safra é verso vencido
teu vestido sujo lave e enxágüe
variações de loucas estações
(você
não entende nada do que eu digo)
invernoutono
primaverão
prinverout
inverão
noranoão
prouvein
priomoutono
outvera
primout
p i v o
invernoutono
verinverno
priverinvout
verinverno
invernouto
prinvernera
onovera
vernorão
veraerno
prima
out
ver
in
vera
ono
rão
erno
é impossível na distância longe
é improvável pela loucura toda
é inacreditável pelo jeito que é
é esquisito mesmo nunca te vi
é estranho assumir e não dizer
é sufocante não sentir e burlar
é silencioso e ecoa ressoa ânsia
é puro simples tão meu tão meu
é seguro sereno sublime faz bem
é sol chuvoso minha vida solo
é doce sentir o céu é inatingível
é solitário e me segue está aqui
é sempre assim e não dói e dói
é respirar uma falta de ar sem ar
é amar tendo o amor como à fé
é acreditar no supremo sem vê-lo
é confiar nele certo de que há
é viver o mistério da eternidade
é impossível é improvável mas é
é inacreditável é estranho é amor
marminas minasmar
há mar em minas
mar subterrâneo
oculto em silêncio
no desejo costeiro
do mineiro praieiro
marquieto marminas
em ondas montanhas
mar ainda que tardio
com sal de saudade
areias nas veias emegê
a ver navios maralto
minasmar doce lar
mar pra lá de bêagá
oceano ocê ano a anuai
mar mártire joaquim josé
(liberdade morreu na praia
de mar segredo inconfidente)
mar martelo de tõe chico lisboa
(esculpido a suor de aleijado
e espuma de pedra sabão)
sem porto mar de janelas
mar barroco de barro oco
mar maior que o São Francisco
com sua pose de riomar
mar junção de todos os rios
marminas secretíssimo
minasmar profundíssimo
águas imensas sem cais
brotando de grotões gerais
em azul da paleta de guignard
mar em sonho mar amar
mar vereda mar joão mar sertão
mar de minas: ser tão imaginação
morre à míngua
a pátria língua
essa
grande íngua
morre essa língua
a pátria íngua à grande míngua
respingos
no meio do camInho
tem um i
esperando
por um pingo
e bem no centro
desse domIngo
também um i
requer um pingo de vontade
de c a m i n h a r
e eu não tenho
nem um
nem outro
ih vai chover
vou desandar
ando acomodado
e se chove
sou gato escaldado
deixa molhar
mas sou gato pingado
pingos
vão pingar
o i
vai se ilhar
sozinho em solidão
cheguei a esse ponto do
cam
i
nho
carecido de revisão
sem um pingo até no i
de ilusão
é domingo
e que chuvão
apresentação
prazer em conhecer:
sou anônimo
sou invisível
não penso
inexisto
não estou
nem aí
sou um cara impossível
com o gênio difícil
grilado o tempo todo
que não tem vícios
cheio de princípios
e não se entrega fácil
sou anônimo de mil nomes
invisível multifaces
impossível se saber
se sensível posso ser
depois de te conhecer
e sentir não ter o que dizer
e ficar mais só
mais só que sou
tanto só quanto só estou
de tudo podes te arrepender
menos de todo prazer imenso
em me conhecer
conhecendo comigo
o imenso prazer
de ler
escrever
e viver
corpos
por esquecimento
deixastes comigo
teu corpo no meu
descuidada que és
levastes contigo
meu corpo no teu
e então não sei
se o teu se entregou
ou se o meu se deu
muito prazer
conhecer-te é igual
ao que não sei
comparar
tua chegada
renova-me
o ar
a tua presença
quero em mim
respirar
Resposta automática
O e-mail que você postou,
tenha certeza que veio,
pois aqui ele chegou...
Foi bom receber seu e-mail.
Logo o responderei;
é este o seu anseio?
Claro que é, eu sei...
Pois é bom receber e-mail...
plantai o abc
na horto
grafia
choverá na tua hort
não brotarão palavras
nascerão palervas
daninhas
duvide de tudo
divide a dúvida comigo
e não consigo
para quem soub
esse ó esse
help
saber ler
pingos qual letras
vai chover na tua horto
grafia
amor há
onde há amor
há onda de amar
ama o que há
que há de maravilhar
o mar que há em desejar
que o bem há de muito querer
a afeição de haver possuído
na ternura que há de haver
havendo sentimento realizado
possuindo haveres em ter
no que se preferiu escolher
sentido possuído existido tido e havido
no amor há amorfia de não se saber se houve
que se amor há é no amar a mando do coração amado
e dele é impossível se amorar
e nem adianta se amarar
cuidado para
não enlouquecer
de tanto querer bem há quem enlouquece
querer bem sem estar certo se com ela acontece
de também bem querer como se bem merece
que pensar em abandono faz sofrer enfraquece
a cabeça a solidão da dor só em si se fortalece
o coração se entrega ao sombrio e adoece
nenhum sol existe que brilhe muito e aquece
o pensamento delira no vazio e assim se esquece
e a vontade de viver de falta de vida padece
todo caminho se cansa e leva ao estresse
aos poucos se fica louco e a agonia apetece
nenhum anjo do céu é lembrado em prece
por isso se cuide e em se cuidar se apresse
não fique contando as horas vê se adormece
ainda que alguma esperança de volta tivesse
ainda que sonhar viver juntos um dia pudesse
e se ela pensasse diferente e assim quisesse
cuidado que dor de desamor no peito embrutece
amar é bom mas o amar demais só favorece
à pessoa amada que ao sentir desobedece
ao coração e ao amor em nada agradece
como se o amor nenhum bem lhe fizesse
então querer tanto bem não é uma benesse
pois de querer bem há quem enlouquece
ela está tão mudada
ela não é mais a mesma menina
ela envelheceu ao me abandonar
nem sei mais como pensar nela
pois se penso já não me ilumina
a luz aflita de seu sereno olhar
qual lua azul penetrando a cela
onde meu coração se aprisionou
onde eu passo horas pensando
no tanto que ela está mudada
justo ela antes tão apaixonada
tão assim meiga suave e dada
ficará sem mim até quando?
saiba que dói mais que tudo
ainda que não tire meu escudo
dói com urgente necessidade
esquecê-la para ter liberdade
abandoná-la para ter amparo
nossa história não tem reparo
vai desabar a qualquer instante
como mudou a moça inconstante
ela foi a melhor era tão especial
hoje simplificou tudo ficou igual
tomara que ela se encontre nela
como eu me achei aqui nessa cela
Quando o
amor adoece
Acontece do
amor adoecer
gerando distanciamento
olhares de alheamento
sensações répteis insanas
fases duras desumanas
Nas raízes ressecam vidas
poços para lágrimas sentidas
cavam e aí adoecem os dois
e as mágoas vêm depois
ilhadas em negro trauma
no lago vazio da alma
Tudo fica consumado
consumido no passado
para que se acovardem
Sintomas de febre ardem
contorcem dores abdominais
Se se desfez não se refaz
não mais pois só se recolhe
o amor adoecido se tolhe
o corpo perde o coração
a mente é letargia e aflição
quem triste fica amando sofre
O coração se tranca qual cofre
A cabeça é idéia fixa obsessão
Amor doente respira depressão
Marcha triste
Estava apertado de serviço ela
gritou:
- A banda está passando vem ver!
A banda passou tocando marcha fúnebre
Era o enterro da ilusão em cor roxa de paixão
Um ritual enfileirado cabisbaixo de homens serenos
e mulheres com véus negros sobre rostos tristes
Tubas e surdos pontuando a lentidão dos passos
rumo a um vazio da desesperança da multidão
Sempre haverá uma quimera e nunca a última
outra a mais com restos mortais de desânimo
um sem quê nem por quê que a vida consolida
que viver é um eterno buscar sentido pra vida
e tanta desilusão se enterra nos fins de tarde
que o bronze dos sinos já está gasto de sons
que a tristeza sem fim só recomeça sempre
Mas eu estava com trabalho até as tampas
quando ela aos pulos e aos gritos me chamou
Só sei que a banda passou e me enlutou
sem falta
a falta que ela me faz agora até que não é nada
não é nada diante da falta que ela me fez um dia
que também não era nada ante a falta que eu sentia
quando ela mentia se dizendo minha eterna namorada
sua difícil falta reclama minha flauta sem ser tocada
sem ser afinada por seus lábios úmidos de aragem fria
que de meu instrumento tiravam a mais gozosa melodia
uma sinfonia de prazeres em nossa pauta improvisada
sua falta foi maior nas primeiras hora do primeiro dia
quando apalpei sua ausência na cama pela madrugada
sua metade ao relento eu e minha saudade abandonada
somada ao amor fominha com a febre que em mim ardia
a falta dela é uma lembrança no infinito da louca agonia
que sem ela tudo passa e em verdade não aconteceu nada
a casca da vida se retrai mas a dor no miolo é desesperada
a sua lenta falta me consome sempre mais em melancolia
sinto falta da lágrima até porque nunca sequer foi chorada
falta da surpresa que não chegou a tempo de me causar alegria
falta da palavra doce que jamais chegou a ser pronunciada
falta do que não sabia e do que sabendo não saber saber fingia
caçando
luzes
tentei guardar uma réstia de luz
um singelo feixe iluminado
na palma de minha mão esquerda
abafá-la a ponto de retê-la para sempre
e ela não sucumbiu escapou radiante
para meu desaponto já quase triunfante
o pequeno raio que ainda desejo prender
será para tocar teu coração cego de mim
iluminá-lo com pequenos fachos serenos
um a um a cristalizar teu coração soberbo
compô-lo com pequenos pontos clareantes
refazendo a esperança de nele aninhar-me
entre o impossível e o milagre devaneio
a impossibilidade de conter um mínimo de luz
o milagre inimaginável de ganhar teu coração
persigo pontos luminosos velozes demais
e quando acontece de pegar algum no ar
ele foge-me à velocidade natural própria da luz
enquanto isso teu coração bate escuro sem foco
nele não toco sem a clareza do eu sem cintilância
e mais ele é ausência e mera serenidade à distância
sou caçador de fulgores para entrar em teu peito
corro atrás do brilho para iluminar-te mas é ilusão
jamais chegarei à luminosidade de teu coração
que uma réstia de luz é passagem para tua existência
tua essência tem fome de clarezas e estridências
juntos acenderíamos um vistoso louco e eterno clarão
infindável
não
contentando em apenas vê-las
dei de contar e recontar estrelas
ei-las lá
distantes brilhantes ao léu
ponteando faiscantes o noturno céu
tantas
quantas múltiplas incontáveis
em noites mapeadas por luzes instáveis
pus-me em
aflitiva missão a perdê-las
em contagens inexatas sem prendê-las
ao olhar
matemático e exaustivo
percebi o impossível no infinitivo
as noites de
minha vida são um nada
para contar todas numa só noite estrelada
acorrentadas
desabrochai
pétalas
de palavras escravas
carece libertá-las
destrancar travas
não vê-las bravas
em suas amarras
desatá-las das garras
do senhor da senzala
afoito na ebulição
de dar-lhes abolição
eu poeta as escrevo
delas sou escravo
palavras sem liberdade
sempre mais que tardia
sentem necssidade
pedem anistia
em asas de poesia
fim abstrato
não dá mais não
dá sinto tanto tudo
o fato do diálogo acabar aos berros
e apesar do meu olhar chorar mudo
com todos os acertos e todos os erros
e ainda que eu te pareça só e sisudo
é que há muito eu por nada me iludo
não dá mais não dá mesmo e te digo
posso até tentar ser um bom amigo
mas certamente eu não conseguirei
porque sei de antemão e não serei
pois o melhor amor de mim te dei
e é difícil conviver e não consigo
sorrir sem frescor para quem amei
olhar para baixo como nunca olhei
só de pensar perco o senso e brigo
me xingo de estúpido e cá comigo
sei que a paciência não é teu forte
tem hora que teu humor é de morte
me deixas sem ação um sem norte
nos perdemos de tanto querer mais
o tempo perdido em coisas banais
ausente na espera de mar sem cais
no delírio de meu aparente pé atrás
faço de tudo para parecer tanto faz
não dá sinto te dizer meus venenos
destilei bílis somos dois fenômenos
ou muito menos e o pouco é demais
não dá mais tudo se perdeu é jamais
a saudade que o teu cheiro me traz
hei de conviver entre suspiros e ais
sobreviver e tentar de novo em paz
mas meu amor perdão não dá mais
não dá mais e até digo infelizmente
nos perdemos infelizes e de repente
ó amor o que será que deu na gente?
me
escrever-te
tenho que
escrever preciso não fico sem
escrever algo qualquer coisa me faz bem
escrever teu nome em letras de relevo
sobrenome amor te nomeio se escrevo
escrever azul na estrela em tua testa
celebrar o escrito no teu corpo em festa
soletrar palavras redundantes sem sentido
frases soltas vão queimar teu ouvido
frases loucas num falar tão desconexo
tornar fácil e simples o complexo
catar letras nos poros de teus desejos
abecêjar pronúncias com teus beijos
aprender gramática na urgência da gula
escrever tese antítese relato e bula
curar-me analfabeto de teu alfabeto
e quem sabe neologizar novo dialeto
escrever te amo em braille visionário
reescrever em ti todo meu dicionário
rabiscar no negro quadro da solidão
que vou bem entre meu sim e teu não
rascunhar núpcias de mel em mim
nossa cama nosso altar tesão e sim
descrever teu gozo escrito em grito
fica o dito e o falo em teu fruto bendito
desértica
na página
deserta
planto palavras-cáctus
como espinhos intactos ao sol
da branca paisagem iletrada
pensando preenchê-la com nada
só dúvidas e nem
sombras há
letras qual grãos de areia fina
na ampulheta textual
suo para escrever suor sal
sol escaldante num ato visceral
sem idéias em
campo aberto
sinto-me deserto e só só e deserto
ante o espaço exigindo texto
e nada de tema nada de nada de nada
eu em sol e a página transpirada
sem erro
não digue
não seje
não ouva
não pida
não fêda
não perda
não erre
human
machine
não mais
on the road
farei meu
download
um backup
ficar é escape
viver é zip
em meu euquipe
nada é pior
fatal error
não me delet
só desligue-me
em segurança
possível
demência
partindo do
começo enfim
finalmente no princípio de tudo
inicialmente grave depois agudo
alfa de aprendiz sem estudo
o a de um alfabeto mudo
o 1 somando-se desnudo
no que nasce e renasce em mim
primeiramente assim há sim
parti cheguei estou sou sei vim
nada é melhor e nem foi tão ruim
eu também comeria o proibido fruto
daquele auspicioso e perfeito jardim
sou um vulto sensivelmente bruto
e se Deus é caminho verdade vida
me perdoe a sombra umedecida
onde repouso tão a fim do fim
o peso dessa anatomia carcomida
nada a ver
tudo é se é
e se não é
pode ser?
exemplo: a fé
só dá pé
se não descrer
a marcha ré
se volver
cuca lelé
se endoidecer
chulé
se feder
qualquer zé
só se vencer
outro pelé
está pra nascer
são tomé
pra crer e ver
e eu tão mané
vai saber?
e nem fiz o pré
e dou de escrever
pois é
nem tudo é
ou tem de ser
há lé com cré
rima mais blasé
suportou desler?
dáctil
desapontado
(de última geração)
o teclado
oferece letras
cabe juntá-las
formar palavras
visualizá-las no monitor
a página virtual em tela
insights em megabytes
poesia na aragem fria
enter home pause insert
delete alt lá contrl-se b(aby)
primeiro escrevo à lápis
meus versos de tecnologia de ponta