Número 1
coração cansou
do pouco caso
que lhe causou
o seu sorriso
(não rimou)
mas o riso
foi de arraso
Número 2
no sentido
está o sentir
de pressentir
o pretendido
de consentir
o tido
no havido
a vida
é ida
Número 3
havia
quando a via
como não mais
a vejo
já não há
vivo em paz
pois sem desejo
não dá
ela lá
eu cá
Número 4
se alguém
me encontrar
por aí
diga que estou
aqui
parti
sem me despedir
enquanto fui
preferi não ir
Número 5
chega de saudade
que essa fossa
tão nossa
é só bossa novidade
Número 6
a senhorita
anda sem tempo
imagine
quando chegar seu tempo
de senhora
Número 7
passado
assado
do
presente
sente
se
futuro
tu
o
Número 8
tendo amor
ame
sendo amada
tendo amada
ame
sendo amor
tendo
ame
ame
sendo
Número 9
estrangeira
viajando em teus beijos
(a)prendi tua língua
Número 10
A B
(C CAIU)
A B
i
s
m
o
Número 11
paisagem
jogou verde
colheu azul
mar
e
céu
burrinha
eu a elogiei com palavras difíceis
e como você não conhecia os sinônimos
achou que eu a estava ofendendo
não lhe peço desculpas
mas assim que puder
lhe envio um dicionário
não é não
na era da informática
e quanta desinformação
eu disse sim
ela entendeu não
um repente
(q não é autobiográfico)
sou repentino
o menino de uma só asa
venho de mim
enfim sou minha casa
tenho a luz
q desenha a sombra
brinco de ser
assim como sou
confesso a tristeza
q trago nos olhos
já fui tão distante
mas nunca tardei
sou dor e brisa
no sol de cada raio
afugento as feras
com meu grito inesperado
sou repentino
o menino sem a outra asa
venho de mim
a solidão mora lá em casa
especialmente hoje
hoje não tem pic nic
(meu nick se confessa sem pique)
nada de passatempo
(ah, como o tempo passa...)
a desatenção poética de quem acordou triste só não é menor que essa
sombra, vê
tenho agido por descuido e é nítido em meus olhos que meu coração é
descuidado (ou será mal cuidado?)
a irreflexão de escrever por fluxo fluxo fluxo o que vem vai o que sai cai na rede dos buscadores virtuais de entrelinhas (você, amiga, por
exemplo, ao tentar me entender, justo você que nem me conhece, nem sabe meu
nome e jamais verá uma lágrima minha)
talvez seja por inadvertência de um aluno que a vida jamais
conseguirá uniformizar e dar objetos didáticos pois sou anti-anti-eu
naquilo que se refere a mim
alheamento da floresta, diria o poeta amador que ama tão
profissionalmente que chega a amar o amor como um profissional que mente
pessoalmente e em pessoa se consente
abstração do abstrato abstração do abstrato abstração do abstrato
eu sou o abstrato da abstração
divertimento é artigo de lux
recreação
se tem merenda oba! que meu blog
seja deglutido por vorazes leitoras famintas senhoras & senhoritas
insaciáveis são todas as mulheres há hormônios femininos em todos os alimentos
consumidos
entretenimento é a palavra final
hoje essa página talvez não lhes dê esse privilégio o sol amanheceu sem sal eu
sei eu sou eu sim azul só sul
como sempre um jogo, palavras
eu me submeto ao capricho dessas deusas
venham
fiquem
sejam
vãs
olha o trem
eu sou do tipo q não conquista ninguém
vivo o momento a mais completa solidão
estou a fim de entrar numas de cantar
porq cantando sou mais forte sou mais eu
você q me ouve o q houve com você?
construir castelos amarelos de luar
o centro do mundo está dentro do prazer
quem viver verá o q não há mas há de haver
fere o indiferente mas a gente chega lá
seja o q não haja o q deseja e sabe ser
se ando sozinho nem eu sei pra onde vou
mas acabo indo sempre chego aqui estou
nesse vai-e-vem quem nunca foi jamais chegou
você q me ouve o q houve com você?
quem pensa q sabe mais carece de aprender
a sua pergunta é a resposta q eu dei
quem gosta de pouco se contenta com o q tem
um deus-nos-acuda deus lhe pague e passe bem
não fiq parada sai da linha olha o trem
olha o trem olha o trem olha o trem olha o trem
quem ama o feio
quem ama o feio
bonito não lhe aparece
quem ama o feio
bonito lhe parece óbvio
quem ama o feio
pode ser ruim de gosto
quem ama o feio
não teme assombração
quem ama o feio
não liga para cirurgião plástico
quem ama o feio
não vai a concurso de miss
quem ama o feio
carece de me conhecer
em terra de rei quem tem um olho é cego
em terra de cego quem tem um olho tem ego
em terra de cego quem tem um olho é considerado homem de muita visão
em terra de cego o governo é amarrado por nós cegos
em terra de cego quem não sabe braille é analfabeto
em terra de cego quem tem um olho costuma usar lupa
em terra de cego quem tem um olho pode ser ciclope
em terra de cego não tem arco-íris
em terra de cego quem tem um olho fecha-o
em terra de cego quem é surdo e mudo deve ser muito infeliz
em terra de cego ninguém acredita em amor à primeira vista
em terra de cego quem tem um olho é testemunha ocular
em terra de cego não tem microscópio
em terra de cego ninguém está no olho da rua
em terra de cego não tem olho gordo
em terra de cego ninguém vende à vista
em terra de cego ninguém elogiará tuas sobrancelhas e teus cílios
em terra de cego quem tem um olho não fura os olhos dos outros
em terra de cego quem tem um olho é míope
em terra de cego quem tem um olho é rei caolho
em terra de cego quem tem um olho evita cisco
em terra de cego não tem São Tomé
em terra de cego o que engorda o boi não é o olho do dono
em terra de cego não tem bode expiatório
em terra de cego a espada da justiça balança
em terra de cego as paredes têm ouvidos
em terra de cego quem tem um olho não vê os dois lados da questão
em terra de cego quem tem um olho deixa o rei nu
em terra de cego quem tem um olho não vê o rei
imaginação fértil
encontrei Karl Marx vestindo calça Lee
conversando com Trotski
que bebia uma Coca-Cola
foi quando chegou Stálin
os três iam se encontrar com Engels
na sede do FMI
não sei filho
pai,
por que que rico
nunca tem tempo
e vive dizendo
que tempo é dinheiro?
sex- symbol
Ava Lavínia Gardner
a tantos inspirou
até que morreu
ave
ó musa
de museu
tia zoquinha
o sonho de tia zoquinha
era estudar medicina
queria ser médica cirurgiã
infelizmente não deu
tia zoquinha fez o curso de corte e costura
fim próximo
viver está
pela hora
da morte
mas também
não precisa
encomendar
o funeral
deus analfa
(sr., perdão)
se na hora de criar o mundo
se em vez de verbalizar
deus escrevesse o "haja luz"
e sua atroz divina dúvida
ficasse entre haja e aja
se luz não houvesse
a luz não agiria
e talvez deus desistisse
e o mundo não criaria
entre o haver e o agir
o mundo nem existiria
mas deus preferiu falar
e jamais escreveria
deus quis e luz houve
deus agiu como devia
o mundo taí clarinho
nele há o que não havia
só depois de criado tudo
deus ao mundo se dirigiria
escrevendo poucas linhas
com sábia e santa sabedoria
"quero minha criação halegre
na mais completa armonia
o mundo criado hontem
é de vocês oje em dia
ó filhos amados meus
fiquem na pas de deuz"
oras rosa
uma rosa
é uma asor
é uma roas
é uma saor
oras
o paulo leminsky
o paulo leminsky
parou de fumar
o paulo leminsky parou de
beber
o paulo leminsky parou de
falar
o paulo leminsky parou de
escrever
o paulo leminsky parou de
parar
o paulo leminsky parou de
correr
o paulo leminsky parou de
criar
o paulo leminsky parou de
meter
o paulo leminsky parou de
inventar
o paulo leminsky inventou
de morrer
a paisagem
a paisagem um quadro sem moldura
rio
é claro que sabes
o tanto e quanto chorei
só não fazes idéia
do que com isso sequei:
o nosso rio sem margens
o nosso rio sem margens
fuga
queres fugir? então fuja
jamais te encontrarei
pois não vou te procurar
eis que tu te sentirás
perdidamente abandonada
escondendo-se
magoada
ferida
sozinha
fugindo de mim que já não tinhas
Rodízio
Ó desilusão
de boi noutro campo.
Olhos perdidos ruminam pastagens imaginárias.
Rumo ao matadouro. O pressentimento da dor final.
A faca afiada do magarefe. O golpe fatal. Sangue esguicha.
O uivo revoltado do animal já quase inanimado.
Depois do berro, o bruto mapeado e fatiado.
Cupim. Costela. Picanha. Maminha. Alcatra.
Filé. Contra-filé. Fraldinha. Língua. Coração.
O destino bovino é a suculência de sua carne.
Apenas mais um. Mas não era um boi anônimo.
Lá se foi o velho Rodízio.
gordinha mineira
(quebrando o regime)
não sou de ferro
vou sair dos trilhos
quero comer um trem
uma pizza quatro estações
depois de morto, o anjo torto
p/ mestre drummond e seu anjinho
estranho amor é esse
que você está vendo:
ele lá, junto ao jazigo,
escrevendo ou lendo
depois que fez a leitura
de “Carlos, sossegue”
ele só segue Carlos
e loucamente o procura
sua família lhe deu asas
e nem se preocupa com
sua vida é reverenciar
à memória de drummond
na vastidão do cemitério
ali de tudo fica um pouco
versejam já sem palavras
o poeta morto e um louco
para ele não é loucura
- o silêncio é poesia pura -
ficar sossegado com Carlos
telúrico em sua sepultura
a inspiração é inefável
vozes vão se sublimando
ele é apenas o anjo torto
de um gauche dormitando
o velho anjo de sempre
soube chegar ao cúmulo
de redizer “vai, Carlos,
ser eterno num túmulo”
conjugal
o difícil
não é conjugar
o verbo casar
como transitivo direto
ou indireto
mas sim
no pretérito imperfeito
do indicativo
atirar o pau no gates
(outra a la drummondiana)
cara, relaxe,
o windows é isso que você está vendo:
hoje crefa
amanhã trava
depois de amanhã é quinta
e na sexta vai ser impossível
achar o mister bill gates
inútil você reiniciar
ou mesmo desligar
não se encane, ó não se grile
é melhor formatar a máquina
encare um download de frente
e pode até ser um vírus
que o northon desnorteado
ou talvez desatualizado
não conseguiu vacinar
o windows, cara,
você pirateia, enxerta na placa mãe
sem nem saber com quantos bitmatozóides
se faz a porra do winchester
e esquece que se a maicro é soft
o seu micruzinho é bem light
cara, pode crer,
vou desengavetar a máquina de escrever
mas se eu encontrar o tal do bill gates,
cara, do mesmo jeito que o windows deu pau
atirarei o pau no gates e o pau vai comer
ladainha da blogirl
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Fui rimar amor com dor
a dor era dourada
da cor de uma jazida
preciosa mais que a vida
- eu adorei
Fui rimar amor com amor
ficou pobre minha rima
jogaram ódio em cima
deitaram mágoa na mina
- desamei
Fui rimar amor comigo
fiquei falando sozinho
hoje nem falar consigo
só olho pro meu umbigo
- silenciei
Fui rimar amor com sonho
delirei um pesadelo
chorei diante do espelho
fiz a Deus o meu apelo
- acordei
Amor não rima com flor
Amor não rima com dor
Amor não rima com amor
Amor não rima comigo
Amor é apenas um sonho
Flor é rima popular
dor é rima a mais vulgar
amor dá o que falar
comigo é bom não contar
sem amor não sei sonhar
Há um precipício
e o princípio de queda livre
O salto vital
A volta por cima
A ida e a vinda
A vida é tão linda
tão linda que finda
Há um fundo
para quem voa em vão
para quem vai saltar
para quem vai soltar
a imaginação
abrir as asas sobre o nada
o nada de toda amplidão
Há um abismo
e não cismo
O
A volta por cima
para quem vai saltar
para quem vai se soltar
A vida é tão linda
A margem de lá
A beira sem eira
Há um fundo
para quem voa
Abrir
a vida é tão linda
o nada de toda imensidão
Se você ficasse,
se você partisse,
se você tentasse
por mais um dia,
se você parasse
se você quisesse...
Mas você não quer,
você é foda, Maria!
Sorrindo sem graça
qual louca de lua,
sem melancolia,
sem roupa no corpo
pela noite que esfria,
sem José que queira
sua ganância inteira
de cadela perdigueira,
você vaga, Maria!
Maria, quem diria
que mulher assim,
tão senhora de si,
tão louca e a fim
não tivesse primazia?
amor
conquanto meu abraço te arromba
a gente se tromba no dorso do elefante
um diante do outro na selva urbana
tão bacana te saber a fim de atar-me
na catarse de sangria desatadíssima
ó santíssima diabinha que de eu zomba
na tromba do elefante tem sugação
não e não e não te devoro vegetariano
que se me dano sou carnívoro canibal
te como sem sal em fast fode
de momo
eu tomo uma pepsicoca nesse carnaval
só muito ar
pra se respirar
mas monsieur Apollinaire
que viveu a arte
de forma absoluta
surrealisticamente
respirou e morreu
de gripe espanhola
l'art pour l'art
a dor faz parte
faleci
fale sim sim
fale sim
fale
(falhanço)
qdo faminto minto
qdo apaixonado nado
qdo influencio cio
qdo revivo vivo
qdo posso osso
qdo aconchego chego
qdo desabafo bafo
qdo desfaço faço
qdo recompenso penso
qdo especifico fico
qdo sentencio cio
quando determino termino
qdo amar mar
qdo esquecer ser
qdo puder der
qdo valer ler
qdo reviver ver
qdo separar ar
qdo admoestar estar
qdo resolver solver
qdo acasalar lar
qdo definir ir
qdo resolver ver
quando senão não
qdo decorar orar
qdo barganhar ganhar
qdo preferir rir
qdo suspender pender
qdo desnudar dar
qdo revelar velar
qdo sossegar cegar
qdo acreditar ditar
qdo construir ruir
qdo escolher colher
qdo formatar atar
quando enfim fim
oh Janis
tua garganta
essa rouquidão
não grite
consigo
sou viciado em ti
e agora és pó
mas cansar jamais
de ser escravo de Jo
plin
onde o sol escancara largo sorriso
com raios incisivos nos maxilares
onde uma estranheza de ontens
torna oca a visão d’olhos inexistentes
onde as flores abruptas do silêncio
delirantes dispensam a fotossíntese
ali adormece um homem sem noites
ali o espaço atemporal é o nada no vazio
ao me abandonares com tua ausência
revelas-me nossas diferenças inconciliáveis
estou acordando para namorar a aurora
dei fim ao ciclo de sentimentos intermináveis
Mas
sua conversa
é sem sal
o umbigo
Pagamento
facilitado
Aliás
o que é bulhufas?
cubículo
de uma alma serena
e nada vale a pena
preso por roubar
a cena
depósito
de oxigênio rarefeito
traficado do nada
ação planejada
um crime perfeito
armazém
varejista de planos
nada no estoque tem
por anos e anos
de perdas e danos
caixa de ressonância
de ai ais
de nada serve a ânsia
e nem mais
tórax e eleganância
cofre para segredos
sem chave
e nada de medos
doces ardumes azedos
ave!
túmulo da vida
em paz eterna
em nada jaz jazida
furada ferrada ferida
funda cisterna
sala de estar
de românticos nós
meio tom de voz
nada mais a falar
teu despeito a peitar
peito meu
graal de sangue e fel
tudo em nada deu
respeito o que é teu
só não me sejas cruel
Desapegue-se
Não se entregue
Desfaça a mala de lembranças:
tua nudez mapeada revestida de luz
estrela acesa na claridade
a manhã entardeceu noturna
Vou perder a fome de ti
A saudade engorda e como comi
te beijo nada
que de nada vale o beijo na boca gélida
da qual saem palavras de afiado aço
feito espadas cravadas em meus sentimentos
cada uma com sua função dolorosa de podar-me
que já nem sei se me tens inteiramente
que ando tão ferido de morte na alma e persisto
mas sei que de ti – não do amor – logo desisto
mas veja bem
ele também
pode ser
um cisco
santa luzia
a visão leitora
protegei
desse risco
Eliane é druida
eremita inquieta
acorda o insondável
com idéias talvegues
paixão fogosa
fêmea instruída a dar
com os Peixes n’água
e se molha e se afoga
por mais e mais
ela é carioca ela é
carinhoca
Eliane é sax sex mas
diluída em jazz
e bem batida na bossa
ela é mais que som só
é anti é ágil é útil
dúctil diz-se humana
desanda na contramão
tem contração
prazer em desejar
poeta porreta
goza viver
Eliane pode avoar
então não dorme
a filha da noite
a louca de asas
a maga magana
a mulher foda
elianecúmeno
quer porque quer
metamorfoseia eia!
elétrica eli-aneel
virtual elianet
Eliane lambe beiços
com suas tortas
cigana tacho de cobre
mundana mandona
fulana fula pidona
suas letras entorpecem
sai grogue dela
um maço de cigarras
ela delicicia o cio de si
a poesia a acaricia
ei-la plena em suspiros
Eliane traz à luz
cegos atormentados
um eu um outro um sem
dói nela não estar
e estando vai indo
fugiu da História
a inventiva criadora
gata leoa linda de lua
oh musa toma essa loa
brincas de ser como és
de viés ao invés dona dez
Nem a mim revelo meus segredos
ou não os traduzi ainda pois decifrá-los
pode ser me devorar com perplexidades
do que eu seja sem saber ou não queira ser
Nem o que fui o já vivido o passado o anterior
nada faz sentido ao meu alheamento desmemoriado
Amnésia conveniente o não-lembrar para esquecer
ou o esquecimento como forma de lembrança arredia
ou se lembra ou se esquece ou se deixa escapar aprisionado
porque ser livre é um conceito que só a paz íntima concretiza
e que silêncios secretos em forma de temor tornam impossível
Segredos são sombras de mim para comigo
que admitindo-os sigilosamente me confidencio
deparo-me com cenas do vivido em imaginação
e aí me confundo crendo imaginar o que de fato vivi
mas a vida em si é o que há de mais recôndito
pois se faz no escuro do útero para ser clarividência
e mistério maior não há que o espaço mínimo ou máximo
entre a cabeça e o coração e o que vai em um e em outro
que ambos são fontes e depositários refúgios e esconderijos
De meus segredos preparo-me para a grande fuga
enquanto minha cabeça pensa no que meu coração sente
e pensando e sentindo mil trilhões de segredos se formam
um a um ocultados de mim mesmo como forma de existir
como meio de me preservar da verdade do que sou e renego
como forma de ser sem saber ou de não saber como acabei sendo
no que vou me tornando com contornos em torno de transtornos sem retorno
Sei que sou e este ser é que se tornou meu único e maior
segredo
do qual tenho medo por não me entender existindo com ele
apesar dele contido nele sendo o que sou confuso em sua redoma
porque de meu segredo depende toda minha verdade existencial
e se me exponho a mim corro o risco de jamais confiar no eu poeta
e o poeta que há neste homem sempre foi apesar de não poder ser
já que tudo conspira para que seus sentimentos não se traduzam
e sejam duras sua sensibilidade e sua natureza
confessa ao escrever
e este é o segredo que revelado ninguém nessa vida vai querer saber
porque uma coisa é o silêncio surdo da voz e outra é o que acabas de ler
e é mesmo tudo tão confuso que podes ter chegado até aqui sem nada entender
afinal
tudo vive em mim
do fim para o próprio fim
em tudo por tudo estou
desde que sei que ser sou
conheço o bem tal e qual
igualmente conheço o mal
o pecado como atitude
não se compara à virtude
tenho noção sobre o certo
e o errado está por perto
tantos por aí que julguei
me julgam à revelia da lei
se nasci para vir ao mundo
morrendo sou mais profundo
experimento soberba alegria
e sofro como jamais sofreria
estou no céu em paz comigo
clamo no inferno meu castigo
na água no fogo no ar enfim
estou em tudo e tudo em mim
e só estando em tudo concluí
que nada sou contudo em ti
perdi a fé em ti
de tua sinceridade
desconfio
tua verdade é fio sem meada
não creio piamente e não pio
não confiar é o fim da picada
à tua voz os olhos
desmentem
tropeças em frases contraditórias
e ainda que tuas palavras tentem
não acredito em tuas histórias
há em ti subliminar
mensagem
tua verdade perdeu força comigo
fazes da mentira camuflagem
ter fé em ti não mais consigo
é bem maior que o céu
quem te amar mais que eu
será louco porque é impossível
eu mais te amo que todos poderão
porque ninguém jamais te amará tanto
não há quem seja capaz de amor desmedido
o amor que de mim tens é o maior que podes ter
e em mim há amor melhor ainda que a outra posso dar
pois não comportas em ti a imensidão desse amor ad infinitum
és confiante demais por saberes que te dedico amor incomensurável
amor assim não receberás de outro mas outra poderá de mim obter maior até
já que te acostumaste a achar a expansão amorosa
uma necessidade só minha para ti
e mal sabes que toda progressão deste amor
requer em teu peito espaço cada vez mais amplo
e és contida demais para suportares a grandeza
do que nem imaginas que está por vir deste amor meu
tens a certeza de que será sempre imenso no entanto já atingiste o limite
do que te satisfaz em ser amada como queres e és
e eu só posso te dizer que a fonte inesgotável do amor
que em mim se multiplica diariamente não encontra em ti suficiente armazenagem
e amor assim não se represa e nem se exclui
correndo o risco de explodir teu coração com megatons
de solidão
após seu descontentamento de irrefreável e ininterrupto propagar-se
e como jamais encontrarás amor com tal amplitude te sentirás sem chão
com a ausência deste que te oferto loucamente e que é bem maior que o céu
em latim
podes ser in
e negares algo
a ti ou a outrem
por exemplo
está na moda
te privares da
felicidade
se és assim e de tudo ris
em inglês ou latim
és sim um in
feliz
olha só
que zona
repara
observa vê
aqui nada
funciona
e ninguém sabe
por quê
detona
pt
detona
ou a elite
detona
você
Os dias que passaram
deixaram emoções.
As ilusões levaram,
ficaram as canções.
Dos sonhos acordei
e acordado vi
que tudo que sonhei
só em sonhos vivi.
As luzes acenderam
nas sombras do passado.
As noites se perderam
comigo acordado.
Os tempos de outrora
agora percebi,
com o passar das horas
até sentiram o que senti.
Eu sei,
tudo mudou,
também mudei.
A primavera era uma flor de espera
que desabrochou.
E assim,
floriu, cheirou
em meu jardim.
A rosa da esperança cultivei,
plantei dentro de mim.
Eu sei,
tudo passou
e eu fiquei.
O perfume é saudade,
flor felicidade
que nunca murchou.
Estou em paz comigo,
em paz com Deus,
em paz com meus irmãos,
os meus amigos hoje sei quem são,
só meus amores eu amei em vão.
Estou em paz comigo,
em paz com Deus,
em paz com meus irmãos,
os meus amigos hoje sei quem são,
só meus amores eu amei em vão.
a jente
não temos
geito