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Velha Yoko |
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Sou um ser inexato em
meus versos, Não me tentes entender
como poeta, sofro minha inexistência escrita Por isso tua leitura é
fundamental. |
Antes agora de que depois
(Meu instante é precipício nesse ofício tão difícil)
Escrito em 1978
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A pátria é meu sonho E meu limite começa Canto o silêncio Trago o pensamento Nada é motivo A vida se esquece |
BREVIDADES
(escritos de domingo à tarde)
você vai provar todas - o doce de uma a uma
hoje serei breve
a síntese em mim
ferve
1
puramente
a minha não escrita
é para ser deslida
2
o tipógrafo
o tipógrafo
cata cada letrinha
agrupando-as uma a uma
no componedor
e sua imensa chapa
se põe a compor
e não quer nem saber
quando o netinho lhe fala
do teclado do computador
3
mundominas
minas
o m de minas é uma montanhainha
o n de minas uma montanhazinha
o sol nasce e se põe nos ondulados
ao meio-dia o sol pinga sobre o i de minas
o a de minas é aurora
e o s é minha solidão longe de lá
4
o teu telhado é de vidro
então cuidado se tuas palavras
são jogadas ao ar como chuva
de meteoros
5
reticências
ruim de escrever
é quando se chega ao ponto
final
6
longe de mim
é onde estou
para perto
é que não vou
7
um sim
seguido de um sim
só pode ser
um outrossim
8
incoerência
dentro do avião
doze mil pés de altitude
sinto falta de ar
9
avião
santos dumont
inventa
e a boeing
aumenta
aumenta mais não inventa
fica no ar
ou caiu por terra?
10
livros que não lerei
são em menor número
que os livros que não escreverei
ou
queria ler os livros que não escrevi
queria escrever livros para eu ler
escrever os livros que não lerei
11
na cova
morto
o homem volta a ser semente
e plantado na terra
não renasce
12
distância é ausência
é o não-estar
a impermanência
13
elas
elas
estão sempre pensando
em outras coisas
14
o que os olhos não sentem
o coração não vê
eles mentem
e o coração crê
15
vivo de próprio punho
vida passada a limpo
mas sem rascunho
16
e pensar que nem imaginas
no quanto é bom ter
imaginação
17
o mundo está mudado
está para ser fundado
pelos anarquistas
um grupo organizado
18
adie adie
até que um dia
chega o dia adiado
19
anarina
ela se queixa
que só a solidão
a tem acompanhado
ela tem muito amor próprio
por isso não tem namorado
20
saudade
não tenho tempo
para ti
21
a gente se esconde
do que está buscando
e até sabe onde
sem noção de quando
22
ao amanhecer
o sono fugiu
quando o peguei
estava na hora de acordar
23
imaginativo
vivo imaginando
imaginando vivo
sem imaginação
não me ativo
24
temo da luz
o excesso
o excesso cega
e cego
tropeço
não recomeço
25
poeta sem p é oeta
poeta sem o é peta
poeta sem e é pota
poeta sem a é poet
tirando o t do poeta
poeta fica sem t
26
o niilismo é
dos ismos
o que mais exige
pingos nos is
27
calvície:
cabeça sem cabelo
na superfície
28
quando me deito
a melhor rima
é mesmo leito
29
separação
de nós dois
o melhor
foi o depois
30
o til
do aviao
~
caiu
31
a gente quando morre
não fica sabendo antes
nem depois
32
....pare de dizer sim...
...senão...
33
de tanto ouvir
elogios calorosos
minhas orelhas
estão pegando fogo
34
é vero
até o curso de Economia
é muito caro
35
férias
perto de ti
me sinto numa praia
do Oceano Glacial Ártico
36
desarvorada
quando as raízes de uma árvore
quebram um passeio público
é que pode dar galho
37
ela acha estrume
uma palavra bonita
quase poética
eu já acho uma b...
38
essa sobre o tempo eu conheço faz tempo
há tanto tempo que já perdi o tempo no tempo
o tempo perguntou ao tempo
quanto tempo o tempo tem?
o tempo respondeu ao tempo
que o tempo tem tanto tempo
que nem o tempo sabe o tempo
que o tempo tem
39
des
cer
es
ca
da
ou
su
bir
40
casaram-se
em regime de separação
de bens
ou seja
dormem em quartos
separados
41
beleza não pode ser tocada
a beleza é irretocável
42
ninguém é dono
de ninguém,
MEU bem
43
amor no fim
pensar até que eu penso
mas sinto muito
44
mau hálito
não escovar os dentes
é um mau hábito
45
escrevo por escrever
escrevo pra qualquer um ler
e pro leitor que não entender
fica o escrito pelo não dito
e assim vou escrevendo
e quem continua me lendo
na certa vai se atrevendo
com este eu meu entendo
estou dando o que ele quer
e está tendo
46
não carecia da fotografia
bastava a dedicatória
aquilo sim
é um retrato falado de tua beleza
47
disse a amada ao amado:
- você só se verá
livre de mim
quando se casar comigo
48
monólogo
tanta gente falando sozinha
e ninguém me ouve
por isso me calo
pois nem mesmo eu
dou ouvidos ao que falo
49
ainda não existem
as crianças que vão nascer
e nem nomes elas têm
mas um dia elas vêm
serão fecundadas
geradas nascidas
humanizadas
aí então passarão a existir
as crianças que estão por vir
só assim existirão
as crianças que nascerão
50
corada
perguntei-lhe o que era enrubescer
ela disse que não sabia
mas ficou vermelha de vergonha
51
dia a dia
ano a ano
a vida
é um anual
cotidiano
52
confissão
se sou
intenso
é sem
intenção
supervisione
com atenção
se acione
sem emoção
distensione
teu coração
53
antes
de lavar
as mãos
lave a torneira
assim
ao fechá-la
evitará sujeira
e preste atenção
depois de limpa
evite sujar a mão
não a leve ao sabão
54
moral e cívica
brasil
se escreve
com B
maiúsculo
55
amor
pormenor
maior
56
mutuamente
uma mão
lava a outra
quer dizer
a esquerda
higieniza
a direita
57
diante da atual escassez
até moças
de fino trato
procuram rapazes
a grosso modo
58
casamento
comunhão
de bens
&
reparação
de males
59
a lua
o lado escuro da lua
atua na tua na minha
na nossa vã ilusão
vê-la no céu a boiar
redonda pairando no ar
nua senhora lunar
minguante crescente luar
lua que a todos seduz
abrange a terra da luz
que este planeta não cansa
não pára de olhar
lua que o homem traduz
na força que a ti o conduz
a nave é leve e se atreve
em teu solo pousar
feiticeira encanta o céu
clareando o negro véu
solitária banha em mel
lua vaga segue ao léu
60
ser alguém
é mais difícil
que ser ninguém
61
in sensível
até o não amar
é sentir muito
62
belo eco
silencio cio cio cio
63
neologismos
inventei (ou criei)
uma palavra que funde
som & silêncio
somlêncio
se gostou
fique calada
admita fale
em simlêncio
64
purismo português
a língua
ou é
ou não é
uma íngua
65
matéria
o rio
em seu curso
se forma
com um canudo
(de águas)
66
mod tia
és
à parte
67
a barba cresce
já no prestobarba
68
nas alturas
o pai da aviação
não a batizou
mas disse:
- minha filha se chama
Hosana
69
só não deixo de escrever
com medo que as pessoas
não me leiam
70
conversa de cônjuges
quando um de nós morrer
ficarei viúvo
71
óculos
pára-brisa
emoldurando
olhos
72
sou poeta de escol
não escrevo penico
escrevo urinol
73
quem ri
por último
pode muito bem
amar ao próximo
74
amor na cama
é camamor
75
estive ausente
fazendo poesia
viajando no uni verso
de sua companhia
76
um do outro
eu estou na minha
ela está na dela
ela aprisionadinha
e eu em sua cela
77
declaração de amor
Goiânia
deixa-me sentar
em teu acento
circunflexo
78
ah,
se eu pudesse
fundaria um cemitério
só para passarinhos
79
sobrevivência
minha poesia
é provisória
porque minha vida
não é definitiva
mas vivo poeticamente
para que a poesia me viva
80
pernas pra que te quero
vão por becos sem saída
me levam pra onde espero
e longe chegam nessa vida
81
não me arrependo de nada
ou melhor
só me arrependo
de nunca ter
me arrependido
82
coleção
e tua vida
quantos calendários
tem?
83
livro
gosto de contemplar
os olhos que me vêem
e me sinto exemplar
aos olhos que me lêem
84
se de ti me afasto
é porque eu me basto
a solidão é companheira
última única e primeira
85
não virtual
ela fez feio
não respondeu
meu e-mail
eu fui
ela não veio
86
entre o sono
e o sonho
os que dormem
estão de acordo
87
entre existir e haver
há e existe
a tal sinonímia
é triste
88
sempre ausente
de manhã
não estou aqui
e de tarde
não venho
89
não basta saber
que é ser humano
tem que dizer:
- sou humano
90
avião a jato
sobe um
DC 10
91
eu
sinônimo
de mim
antônimo
de nós
92
amor próprio
inteiro ela me teve
até que me perdeu
eu que era só dela
agora sou só meu
93
Deus disse:
haja luz e luz houve
- a bíblia ensina
a palavra divina
é uma hidrelétrica
usina
94
loucura
mesmo
é sensatez
a esmo
é sabedoria
à revelia
95
não sei se crio
ou se invento
penso horas a fio
meu processo é lento
sento
me angustio
não sei se invento
ou se crio
mas tento
de fio a pavio
sou poento
e só poesio
96
cartilhinha
Ivo
viu
a uva
a uva
veio
da videira
de vasta
viçosa
e vistosa
vinha
de Vilma
a viúva
a uva
vem
e vira
vinho
Ivo
e a viúva
Vilma
vivem
em Vinhedo
97
de dentro
de mim
não saio
e ninguém
entra
98
horizonte é futuro
não existe horizontem
99
dor mineral
chutei uma pedra
ela gritou
ai
100
estava perdido
entre palavras
escondido
no mundo das letras
até que a poesia
sem querer me achou
101
não me arrisco
a me explicar
não corra o risco
de me entender
só me leia
por favor
é ler para crer
vou te pegar na veia
sem tirar nem pôr
102
com minha poesia
quero ir pra academia
cheio de inspiração
eu poeta tomo banho
vou lá e tomo posse
pelado só de roupão
103
Deus não deu
asas à cobra
nem presas
ao passarinho
104
invencionice
na página do word está meu world
seu branco me induz às palavras
quando não às cores
105
se a mim
alguém é indiferente
eu também
a sou a ele
igualmente
106
das palavras
abuso
senão é bem capaz
das coitadas
caírem em desuso
107
bercinho
poeta e musa
uma filha
terão um dia
nenhuma palavra me
pertence
palavras são de domínio público
existem para a comunicação
nos diversos idiomas
pronunciadas abertamente
signos universais
elas são imprescindíveis
e não têm dono
mas eu quisera uma palavra
só minha
dita única e exclusivamente
por mim
2
pedra florescida
floresce na pedra
uma mínima flor
discreta quase secreta
delicadamente
alvissareira
uma florzinha de nada
brotou na cavidade mineral
colore a fenda com seu raro
numa teimosia de comover
emociona a pedra enfeitada
a pedra florescida rompida
a flor na pedra dá à pedra vida
3
arco e flecha
a palavra
flecha
atingiu o alvo:
teu ouvido
na ponta da seta
o substantivo amor
fincado cupido
minha sintaxe
acertou a mira
nessa audição
a inflexível
flecha
esticou-se no arco
de teu coração
4
que seja o que for
Se for para
melhor, que seja ótimo.
Se for para pior, que seja o mínimo.
Se for para o bem, que seja bem-vinda.
Se for para o mal, que seja rápido.
Se for para a sorte, que seja grande.
Se for para o azar, que seja sexta 13.
Se for para a vida, que seja longa.
Se for para a morte, que seja dormindo.
Se for para o sonho, que seja realizado.
Se for para a realidade, que seja clara.
Se for para sofrer, que seja sem dor.
Se for para pisar, que seja ladrilhado.
Se for para seguir, que seja sem rumo.
Se for para ir, que seja de encontro.
Se for para o adeus, que seja sempre.
Se for para mim, que seja exclusiva.
Se for para nós, que seja nosso.
Se for para todos, que seja por igual.
Se for para poucos, que seja merecido.
Se for para mudar, que seja na essência.
Se for para dizer, que seja dito.
Se for para calar, que seja em silêncio.
Se for para ontem, que seja passado.
Se for para o futuro, que seja imprevisto.
Se for para a guerra, que seja em paz.
Se for para perder, que seja o tempo.
Se for para duvidar, que seja sincera.
Se for para o amor, que seja comigo.
Se for para alegrar, que seja feliz.
Se for feliz, que seja amada.
Se for, que seja.
5
ininteligível
ostento
minha antipoética
a frase-feita desversejante
o lugar-comum poéticaos
típica expressão do blablá
blague blog big bananada
dicção imagética a sintax
atitude cerebral do poetar
ordinário marche revolver
e o pastiche e que se lixe
cocteil de lágrimas brindo
o choque diante do banal
a inteligência culta oculta
verso come feno na coxia
sem o guarda-chuva o sol
vulgar é divulgar o trivial
bota as boutades ao vento
divertida ironia sem tédio
quero ser sentimental tal
linha de montagem fabril
hoje não fui trabalhar fui?
my read-made
today dei
elipse elipsoidal elíptico
faço alegoria carnavalei
recortes cortes montage
registros frasais defront
fatigado incapaz delírio
fragmentado e esboçado
quem leu não leu se leu
não leu mas eu escreveu
Sob
a árvore azul
o dia passou vestindo o mesmo terno branco
calçando o inconfundível sapato camurça
com
seu inseparável chapéu panamá sob o sol e o céu
o dia passou fissurado atrás de uma sombra
olhando sem parar o relógio de bolso
preso à correntinha das horas
o dia passou seguindo solitário
a um enterro sem assistência
ao
lado de um hóspede da pensão diária sem portas e janelas
com o passar do dia ao longo de toda espera
aproximou-se da árvore azul suspensa sobre o grande caos
o
dia deitou-se ao seu pé abaixo de suas raízes e fronde azul azul
recostou a cabeça em seu tronco
levitando
obesa sua carcaça invisível transparente incolor
o dia passou o resto do tempo dormindo até que a noite chegou
escrevi
nas linhas das mãos palavras em códigos
peguei a cigana chamada vida pela ignorância
ela até hoje não conseguiu traduzir meu destino
eu estou criptografado sou ser incompreensível
minha única clareza detecta quem lê meus olhos
ainda que estes sejam codificados na memória
do que a alma captura na aura de quem me quer
as imagens incorporadas ao meu andar caminho
há normas especiais consignadas em meu eu
jamais me decodificarás que não te darei a chave
primeiro deves decifrar-me com meu silêncio
este sim é intraduzível ao teu atordoado amor
juntam-se à minha vida todos os medos
medo do poeta diante do papel em branco
medo do poema vir com bruscas alegrias
medo da leitora se inebriar com minha dor
medo de mim como escritor sem palavras
medo de acabar a obra que jamais começarei
Quinto poeminha para a amada imaginária
amada amiga teimosa silhueta
não sabes o que fazer com minha humildade
andas tão distraída que trombas com pássaros
há dias em que a imensidão te é minúscula
voas em meu peito toda estabanada
queres habitar desastrada o meu céu eu sei
meu céu com todas as suas imperfeições
tu te multiplicas em brilhos de milhares de milhões
e unicamente minha és todas as suas constelações
um
ensaio sobre a mortis finis
na
tumba o corpo tomba só a vida é de morte
a
morte é um sono profundo, mais que a cova
a morte é o fim de sempre e o início do nunca
a vida é fetal e a morte é fatal
o ruim da hora da morte é que se vive só até lá
a morte pode ser o fim de tua eternidade ou o início
existe morte
depois da vida a vida é curta e morrer a encurta
hoje pertenço à alvura da noite
seja como for o dia de amanhã
a noite branca está aqui em casa
com seu sobretudo
suas olheiras
seu ar deprimido
sua palidez
sob o sobretudo da noite há nuances
ela anda nua
de lua
atormentando poetas domesticados
bardos caseiros
que esses lobos noturnos são indefesos
ao seu olhar sereno
essa noite se apossará de mim
pelas horas em claro
da madrugada afora
a noite não dorme há dias
noite sem fim
e a fim
Para a insistentezinha
(Eis aí o poema que me pediste)
Não te
amo porque te amando
conheceria a inquietude,
advinda da saudade
de minha incompletude.
(A paz que busco é simples,
nela está a beatitude).
Te amando me dividiria
em sonhos e pensamentos.
Não imagino ninguém
atando meus sentimentos.
(Não sou dado a sofrer
e fujo de regulamentos).
Não te
amo porque te amando
eu sofreria na certa.
Não tente ser companhia
de minha alma deserta.
(Mas deixaste meu coração
em estado de alerta).
Te amando me perderia
na confusão arbitrária
do amor se apossando
de minha vida diária.
(Moça, desista de mim;
pro amor eu sou um pária).
Te amando confessaria
algum segredo que tenha.
Te daria carta branca,
saberias minha senha.
(Ah, moça, me esquece;
não venha e nem convenha).
Não te
amo porque te amando
seria mais disperso que sou.
Quero viver livre sempre,
por nada nesse mundo me dou.
(Moça, não sejas insistente;
já te falei que não vou...)
Te amando desatinaria,
de cabeça iria fundo.
Me perderia de mim
nos cafundós deste mundo.
(Moça, pára com isso;
que assim eu me confundo).
Lula e a cambada (ou a peemedebezada
ou a tucanaiada ou a pefêlêzada
ou a et ceteraiada)
(Já começou a esculhambação em nome da governabilidade)
Dois camaleões se beijam
sobre a bandeira brasileira
Ele do lado verde
e ela da cor amarela
Ela da cor dele
e ele da cor dela
Isso vai passar em branco?
E a brava gente nem fica azul?
O avanço somando-se ao retrocesso
é o custo da faixa de ordem e progresso?
Já não basta de estrumeira
sobre a auriverde bandeira?
Ah, os sonhos são alucinações
Não sonho mais PT saudações
Universaldo
Deus
está à venda
Faça o pagamento
em dízim’oferenda
Não deixo suspeita
e se perguntarem
negarei: “É lenda”
Compre sem nota
pois não se deduz
no imposto de renda
E só pague em cash
Fuja da malha fina
do fiscal da Fazenda
Essa mercadoria
é coisa muito fina
ótima encomenda
Sendo contrabando
não dou garantia
por favor entenda
Fechado o negócio
jamais nos vimos
nada de parlenda
No mais agradeço
E cuidado, é frágil
A boa fé recomenda
Que Deus lhe pague
por toda confiança
me risque da agenda
Farei ar de incrédulo
Esconjuro a heresia
“Deus posto à venda?”
indubitavelmente
minha grande dúvida:
há entre nós
alguma certeza?
com toda certeza
quanto a isso não há
a menor dúvida!
véspera
do abandono
sou pescador
de poesias
pego-as aos feixes
em cardumes
lindas em ti
versos enfeites
multiplicam-se
em sóis pães
e raros peixes
és meu rio mar
barco bússola
(não me deixes)
dor
purifica
ah, o amor
ou é delírio de felicidade
ou é purificad or
na
cama
na cama
é que o amor
nos inflama
doce paixão
nos ama
nossa união
nos proclama
na cama
nossa brasa
exala chama
sou escravo
és a dama
sou senhor
és a mucama
há veludo
e lama
na cama
segredamos
toda trama
sugo chupo
flor e mama
beijo louco
tua rama
o gozo
nos aclama
Eu, o polichinelo
ou