& OS OUTROS POEMAS
mens
corpore
corporal
mente
minha
parte chão
tua parte mar
nosso todo ar
o mínimo não
todo inteiro teu
meu exato eu
todo toda tua
tudo tudo tudo
metade em ti
em ti a outra
duas contigo
inteira ficas
completa és
em mim
pra mim
por mim
totalmente
o máximo sim
unicamente
infinitamente
conheço-a pela voz
conheço só sua voz
conheço-a de ouvi-la
conheço por ouvir
ouço-a falar
e tudo diz
conhece-me pelo que digo
sabe o que ouve
conhece meu timbre
ouve-me dizer
fala comigo
é toda ouvido
ainda não há olhos
entre nós
não há face
nem mãos
tudo faz-se
pela voz
trivial
é ver
três
como um
comum
tão só
não se está
quanto uma árvore
uma pedra de nada
violeta em xaxim
o eu tão só
no sótão
de mim
ela é toda ritmada
”ó bruta flor do querer bruta flor bruta
flor” (c Veloso)
a moça
morde a maçã
com claros dentes de leite
lábios carne de fruta
pele de cor palidez
dedos de pura carícia
olhos fachos de luz
seios fartos de mel
corpo pleno de céu
mar de sol e prazer
mata-me sim de viver
que eu quero e quero querer
sou seu e só seu eu sei ser
sou sua maçã de amanhã
me fome me come me faça
me tenha me ganha me dê
me sinta me toca me abraça
com ritmo graça e um quê
de querer-me querido e querendo
morde a maçã me mordendo
espécie em extinção
a bandeira
do tamanduá
é brasileira
e nela está
(embora
discordem)
escrito
progreessordem
ninho
o ovo
nasceu
no depois
da galinha
a botar
por onde
ela o pôs
sem tirar
el corvo
p o e
a l a n
p o e t a
e d g a r d
blanco
tranco
o coração
banco
a solidão
arranco
a ilusão
manco
sem chão
estanco
a razão
vou em vão
de branco
modos
tudo em
mim
não o é de todo
de todo
modo
movo o mundo
vou fundo
e em mim mudo
o modo
todo
em tudo
zooflavio
(II)
curió que
tudo olha é curioso
mico de opinião é polêmico
leão que impera rei napoleão
cavalo machucado dor cavalar
vaca bagunceira avacalha
abelha intrusa é uma abelhudice
pipoca de peru é peroá
filhote de gato engatinha
filhote de golfinho engalfinha
ema cheia de graça Ipanema
um
silêncio infinito
grita mais em meu grito
um vazio sem fim
se completa em mim
noites vagas orvalham
e lindas estrelas falham
dores vagam no céu
almas perdidas ao leú
na palavra palavra a palavra palavreia
palavrando palavras palavrantes
palavrava palavrápidas palavruuuns
palavrosas palavríssimas palavrudas
palavrávio palavra flávio palavralmei
manifesto
tomado por empréstimo ou a quatro mãos
com Fabiana Crispino
ó
os conceitos da expressão artística
eu e meu estilo minimalista
cortarei
o supérfluo
não exagerarei
abaixo o colorido o pomposo
o floreado o artesanal
hei de
deparar com a limpeza
com a clareza da geometria reta e seca
utilizando-me de materiais
de pré-fabricados
da simetria crua
minha
intenção
é dar um basta aos moldes em larga escala
apagarei de uma vez
todas as marcas da identidade
da emoção
do significado mastigado
oferecido sem reflexão
substituirei
o básico
o óbvio das formas
por minhas conjunturas pessoais
alcançarei meus objetivos
em um
primeiro momento
não me leia
não me aprecie
não se aprofunde
apenas passe os olhos
sem perceber traços de minha personalidade
e questione-me depois
confesso
a falta de recursos inebriantes
se concentre e otimize tua capacidade de criar
pois tens a mesma função que eu
neste texto
não me
tome por puro e intenso
construa tu mesma um sentido
para preencher meu vazio
um eu
viajante
onde
estou que já cheguei
e nem sabia-me vindo
pelos caminhos que fui
pelas estrelas que ia
que estando de partida
nem pensei que viria
e só de saber que saí
aqui sonhei que estaria
zooflavio (I)
fantasma de elefante - elefantasma
foca fotografando - focaliza
cobra endividada - cobrança
onça feia – geringonça
urso na justiça – recurso
galo beberrão – gargalo
morcego apaixonado – amorcego
pato muito apegado – carrapato
sapo na lavanderia – sapólio
urubu em casa - urubupungá
bem-te-vi na TV – M T V
no meio do caminho
tinha
no meio
do caminho tinha
uma medida inexata
não uma rocha monte ou pedrinha
mas uma casamata
tanta
estranheza dali vinha
coisa louca irreal insensata
ou até uma singela galinha
ou o mais horrível primata
ou um
trem fora da linha
ou uma tremenda gata
um tal Pero Vaz de Caminha
comparando-o a uma fragata
ou o ET
de Varginha
e Mozart compondo cantata
Hitler dirigindo um fusquinha
Franz Kafka em veste barata
a raposa
diante da vinha
Alice e o homem de lata
ó Cinderela coitadinha
quanta rima pobre e chata
as balzaqueanas e os
implicantes
o
exercício de amar
nos requer aprendizes
infelizes atores ou cantores
a interpretar
cantando amores
por atrizes
como elas
fingem
e nós que tanto fugimos
quando certa idade atingem
delas mais exigimos
no papel que interpretam
e nos interceptam
e nem as assistimos
acabam
sós
as que são mães viram avós
e nós?
uns eternos rococós
porquinhos rabicós
meio manés e bocós
juntos
somamos idades
espelhamos vaidades
infelizmente não dá
somos mais pra lá
que pra cá
anti sócios para nossas saciedades
v i v e n d o
c o n c i s o
d o e n d o
procuro
formas & fórmulas
no escuro
busco a simplicidade
e – claro -
criar com liberdade
estou pronto
para a experimentação
onde me encontro
e em toda parte
sou estou e vou
respirando arte
milhões
de palavras
em meu dicionário de silêncios
ouve meus olhos e vê
luz
feita de ar
rarefeito
efeito estufa
o peito
ar tesão
moldando seios
ar mamento
sugando meios
de respirar
ares alheios
boa
viagem querida
tentou
entender a vida
olhando para o passado
então se viu perdida
em um tempo atrasado
no passado a vida vivida
um vivido jamais mudado
uma história escrita e lida
o viver não revisado
tanta vida concebida
concedida sem pecado
o viver é uma lida
um eterno aprendizado
mas a vida é em seguida
passo dado foi andado
ao olhar
decidida
para frente novo traçado
viu que a melhor pedida
é o que deve ser tentado
um novo rumo convida
o futuro todo ofertado
a manhã só é permitida
a quem estiver acordado
vida é passagem de ida
viver é estar embarcado
boa viagem querida
vive o teu aguardado
não tente entender a vida
olhando para o passado
sua vida já está de partida
diga adeus pronto e acabado
minha primavera
não
brinque com coisa séria
não ria da miséria
não faça pilhéria com a histeria
não ponha ao máximo o stéreo
não corte a artéria
não vá para a sibéria
não recrimine pondere
não pise no freio acelere
não desconsidere que fere
não supervalorize a matéria
não são impropérios mistérios
não saia de férias
não prenda as feras
não tema cemitérios
não leia homero mas considere-o
não se perca no hemisfério nortesul
não siga eros
não se faça de estéril
não evite minha primavera
retrospectiva
aqueles
nossos momentos
que hoje dispensam relatos
em que
todos os fundamentos
do amor foram mais que exatos
e nossos
sonhados intentos
foram pactos e fortes tratos
eram só
grandes planejamentos
nem chegaram a pequenos atos
em um todo
sou um
Ser
uma só gota
no tão imenso
oceano Humano
uma
gotícula
de água impura
suja o desmedido
Humano oceano
única
mancha
causa mínimo dano
eu completamente
um Ser só e insano
dois tratados sobre a
mentira
verdade mentira
acreditar
na verdade requer competência
no outro estabelecer regras de coerência
já a mentira até abona sua evidência
a verdade vive de benevolência
a mentira se insufla
a mentira se camufla
quem mente quer convencer
que a mentira verdade quer ser
quem mente tem-na como verdade
e mente com a máxima sinceridade
e a verdade fica na dela
até porque ninguém acredita nela
as mentiras de fulana
sempre
que é flagrada
fulana sai pela tangente
e se se sente acuada
mais reafirma o que mente
com a
boca na botija
entra em contradições
e caso a situação exija
mente aos borbotões
coisa com
coisa diz
fala tanto nem respira
mais e mais se contradiz
viver é sua mentira
fulana já
nem sabe
se fala claro ou delira
sua verdade não cabe
na cota de sua mentira
e
mentindo engana
e enganando mais mente
mente tanto essa fulana
que se acha convincente
apontamentos
no
caráter o que é supremo?
não o extremo
na
conduta o que mais realça?
não uma vida falsa
no estilo
o que é mais admirável?
não o equilíbrio instável
em tudo e
em todas as coisas
que a felicidade seja uma atitude
ativando a mente em plenitude
e que a
luz da simplicidade
revele o sol da integridade
e seja sempre uma virtude
deixa
estar
sou
difícil quase impossível
beira o milagre a compreensão
do que sou sinto penso quero
sou o
próprio silêncio entre as estrelas
sinto todo o peso do mundo sobre mim
penso em tudo ao mesmo tempo já
quero a possibilidade do que não é fácil
que é saber-me querido e amado
que isso ainda não vivi e não sei
daí ser realmente muito complicado
que explicando-me (até que tentei)
mais e mais te confundirei
teu coração é despreparado
e com ele jamais contarei
mas
também sei simplificar
e vejo possiblidade de um dia realizar
o milagre dos sonhos que sonhei
menos o
sonho de contigo contar
e por mais que eu sinta pense e queira
infelizmente sei que jamais o realizarei
dia a
dia
dia adia
dia ad ia
diaadia
dia a
a dia
dia
a
ida vida
e volta
guarda em
ti
este ser calado
que sou
diz:
"- o que ouvi
foi pronunciado
no que ele calou
"-
então percebi
que o passado
sem querer ficou"
"-
não o perdi
havia se afastado
mas retornou"
"-
está aqui
olhar lacrimejado
nada falou"
"-
mas ainda sorri
tão resguardado
que me povoou"
"-
sempre o senti
seu jeito dado
me ganhou"
"-
com ele vivi
o inimaginado
que irrealizou"
"-
amadureci
e meu amado
me adulou"
"-
não consegui
dar o cuidado
que ele implorou"
"-
então eu vi
que por um lado
ele frustrou"
"-
tanto corri
mostrei enfado
o muito acabou"
"-
no que insisti
meu ego centrado
se exacerbou"
"-
andei por aí
dona do riscado
que sempre reinou"
"-
mandei e pedi
e tão bem mandado
ele tudo aceitou"
"-
tanto o iludi
que o coitado
acreditou"
"-
chorou e eu ri
me deu seu agrado
bem se portou"
"-
tão mal agi
e ele esnobado
até se humilhou"
"-
durona fingi
e ele acanhado
sem lugar ficou"
"- de morte o feri
triste e amuado
ele se mandou"
"-
não insisti
mandei foi recado
quando embarcou"
"- a
partir daí
meu reino encantado
se desencantou"
"- o
tempo por si
ficou encarregado
e me mostrou"
"-
saudade nutri
com tudo acabado
a vida definhou"
"-
mas não o perdi
havia se afastado
mas retornou"
"-
está aqui
olhar lacrimejado
nada falou"
"-
mas ainda sorri
tão resguardado
que bom que voltou"
guarda de
novo em ti
este ser tão calado
que fui e inda sou
mas olha
aqui
quero ser respeitado
teu caráter mudou?
blim blém blom
de
raminho em raminho
cantante e feliz
o pequeno passarinho
na torre da matriz
fez seu ninho
com amor e carinho
mas o
pobrezinho
acabou sozinho
(ó destino ó desatino)
sua fêmea não piou fino
- ali não acasalaria
pois não agüentaria
não poderia suportar
o barulhão do bimbalhar
do sino
cada qual
com seu diferente
ou o
diferencial
é o igualmente?
musa demitida
(por insensibilidade poética)
não
considere mais teus
todos os versos meus
não os
leia como para ti
como um dia os escrevi
mantenha
o menosprezo
para tudo o que escrevo
dê de
ombros desconheça
não tens coração na cabeça
como pude
te dar poesia
se não a queria e nem a lia?
me
enganei ao me inspirar
em quem mal sabe sonhar
meus
versos te pertenceram
mas jamais te comoveram
versos
que a ti se declararam
e que nunca te emocionaram
belos
versos a ti dedicados
e só por cortesia guardados
agora só
considere como teus
os meus versinhos de adeus
somatório
o que sou
mais o que és
resultou
em viés
somou
de través
viajou
no convés
o que sou
mais o que és
trocou
mãos pelos pés
não nos tornou
dez
virou
esse estress
o que sou
mais o que és
acabou
em pontapés
enfumaçou
chaminés
is now
e não yes
o que sou
mais o que és
rock in roll
nada de jazz
monstreou
no Lago Ness
mumificou
qual Ramsés
inspirou
Philip Glass
ruminou
canapés
atraiçoou
meus Sãos Tomés
o que sou
mais o que és
despoesia
esquecendo-me
liberta-te
de mim
ficas só
contigo
nada a ver
comigo
(nem amor
nem amigo)
lembrando-te
prendo-me
à dor do fim
aqui
dentro
a agonia
de tua luz
mais fria
(pela traição
adeus despoesia)
por assim dizer
recomeçar
a partir de
ir até a
chegar como se
pensar de modo que
falar bem do
tudo volta em
na Terra como no
aqui e
o ser e o nada
invisibilidade
do nada
inexistente
ninguém
viu
porque ninguém
não se vê
tão comum
como um
nenhum
uma coisa
qualquer
sem ser
intensidade
aprenda a
pensar
pense ao aprender
pense aprendendo
e pensando aprenda
seja aprendiz do que pensa
e não só pense
e nem só aprenda
o
pensamento é a apreensão do ser
o aprendido fica na mente
armazenado para a ação
a atividade do aprendizado
o fazer bem pensado
o que se
sabe porque aprendeu
pensando enquanto o saber
eleva o pensamento
de querer sempre reaprender
e repensar o ser
porque pensa
logo é intensa
o
fim de tudo
perdi
perdeste perdemos
e tudo que somos é nada
diante do que tivemos
a flor
abrindo-se de madrugada
o pássaro voando rumo à aurora
o degrau acrescentado à escada
o relógio esquecendo sua hora
perdeste
perdemos perdi
e me vejo olhando vazio
naquilo que um dia vivi
fui tão
caloroso e acabei com frio
simples demais para tua grandeza
chorando tanto pra mais de um rio
incerto e tonto com tanta incerteza
perdemos
perdi perdeste
e não importa se foi a poesia
que eras musa e esqueceste
da linda
paisagem que em mim havia
pois teus olhos não viram o invisível
o que é a poesia diante dessa agonia
agora que o amor se fez insensível?
perdi
perdeste perdemos
e nada somos e nada vivemos
perdeste perdemos perdi
sei-me só e só o só sabe de si
perdemos perdi perdeste
musa em tudo que em mim leste
para
sofrer
para
sofrer basta esperar:
o bote da víbora traição
a dor de amor a cegar
a morte da ilusão
o assalto
à mão amada
a tortura da falta de ar
a solidão amargurada
para sofrer basta sonhar
a
confiança traída
a sombra em todo lugar
a falta de amor na vida
para sofrer basta tentar
ser feliz
algum dia
correr sem nunca parar
dar asas à alegria
para sofrer basta estar
de bem
sentindo-se mal
sem sono e sem luar
diferente e tão igual
para sofrer basta pensar
o tanto
que quis e perdeu
o pouco que pôde dar
a luta que não venceu
para sofrer basta amar
a
desesperança
não te
pedi
nada mais
nada menos
que lealdade
e te dei
do bom
e do melhor
de minha fidelidade
do que te
pedi
fiquei
com menos
do que te
dei
perdeste
o melhor
sem ti
nem por
ti
sem ti
rar
nem por
tu
do
ir por ir
ir por aí
até consumir
como sumi
eu
te tive
eu não te
vi
de ti há
em mim
o que em nós
nos individualiza
cada um
em si é outro
alheio ao que sou
por meio do que és
aquilo
que juntos somos
com particularidades afins
diferentes mas próximos
ambos
únicos
por tudo em nós
como em um todo
camaleão do céu
devo ter
perdido o senso
se dei para ouvir estrelas
e se mais o som adenso
ouço cores e sou a sê-las
(mais que vê-las tê-las)
falam tonalidades amarelas
ciciam matizes vermelhas
incorporo-me às centelhas
sou campeador de ovelhas
perdido entre as estrelas
nada de
novo
sob o sol
só sobre
tu e o
vento
quando o
vento
por tua cabeça passa
fico pensando nesse momento
o que se passa em tua cabeça
com tanta idéia avessa
se em tua
cabeça o vento
somente os cabelos embaraça
ou se tua mente mais embaça
pois tu ao vento é uma graça
teu corpo todo descompassa
deus é brasileiro
deus é
brasileiro
mas nega
qualquer envolvimento
deus é
brasileiro
e não assina
silva
deus é
brasileiro
nos estados unidos é americano
na alemanha é alemão
na Bélgica é belga
e assim por diante
deus é
brasileiro
ou deu
zé brasileiro?
deus é
brasileiro
mas diz que não tem
nada com isso
deus é
brasileiro
então ele tem
no máximo 503 anos
deus é
brasileiro
mas vive
no exílio
último
acto
compactuo
pactuo
atuo
a tu o
compacto
não senão em mim
pacto ato último sim
sem tato
tatuo
tu o retrato do fim
nada
é
igual a
nada
nada
nada
igual a
nada
nada a
nada igual
nada = a
nada dna
de nada
nda
tão
tão
eterno que passou
tão verão que esfriou
tão eu que em mim sou
tão tão aqui estou restou
tão assim que até assou
tão fugaz que eternizou
luta
de estranhezas
minha
vida toda aqui
moro num deserto inimaginável
imensidão de fin’areia nas cercanias
sol escaldante exclusivamente sobre mim
árido vento faz doer os pulmões calcificados
sequidão de meu coração-cáctus florespinhado
miragens na ausência de outras paisagens
tudo menos eu a desejar outro recanto além deste
sou assim nômade desertado deserdado de sonhos outros
meu tempo parou no tempo em que me fiz sem lágrimas azuis
aqui vivo
de encher vasilhames de ampulhetas
encher vasilhames de ampulhetas encher vasilhames de ampulhetas
aqueles pequenos recipientes propícios aos eremitas seres ausentes
e como não consigo lacrimejar meus olhos ressecados vivo de encher vasilhames
de ampulhetas
ajude-me-nos!
ajude-me
meus pensamentos me perturbam com tanta vastidão
meus olhos me incomodam com paisagens delirantes
minha voz me desatina com sua lamúria de pronúncias
minha audição me enlouquece com eloqüentes sons
minhas mãos me agoniam tentando tocar o improvável
ajude-me
não sei o destino de meus desejos de completude desatinada
perdi o rumo do silêncio no vazio criado a partir de minha luz
sonho com espaço e ar abertos a asas presas à vontade de ficar
proíbo meu ser de ser ao não ser do infinito querer ser sem o saber
crio noites anteriores aos dias não percebendo o quanto é sol e céu
ajude-me
faça doer em mim a certeza de que perder é mais que perder é tudo
estraçalhe minh’alma na poesia de sabê-la difícil penando o mundo
condense na amplidão de meu peito mínimo a liberdade de sentir-se
domine o marsertão que me confunde entre o lá e cá o longe e o aqui
amorteça amor teça amor defina em paz o sacrifício que sou em pedir
ajude-nos
estou com fome de tua luz, menina
e aquela
luz, menina?
como conseguiste escondê-la?
sofro da falta de sua louca intensidade
vem,
volta, me ilumina!
ainda que com sua distância de estrela
mas aqui dentro de mim tal sua proximidade
dos andrades: Oswald o antropófago
até prova
em contrário
Oswald ficou de mal de Mário
até que tudo se esclareça
o primeiro era mais cabeça
até que a verdade venha à tona
ele também morreu na lona
até que chegue luz ao passado
ele é o pai do matriarcado
até que ao chão batatinha deite rama
ele é o afundador de Pindorama
até que a arte venha bater na coxia
o cara foi o rei da antropofagia
até que se deixe ir à fruta que partiu
o danado entrou de pau no pau brasil
até para quem o chamou de antilírico
o sujeito escreveu verso satírico
até para os que nunca leram sua revista
o camarada se debochou comunista
até que murche a flor em sua lapela
o paulista se fez o rei da vela
até que se tire caroço do angu
foi ele quem comeu a deliciosa Pagu
e de Tarsila foi o grande Aboporu
até hoje nos causa espanto e sedução
toda deglutição na dentição da começão
cura-me de mim
todo
cuidado é
muito frágil
e até no
cuidar
seja ágil
é que sou
meio arredio
e meu carecer fugidio
quando
cuida que não
já estou salvo e são
então
sobrevivo
troco de curativo
acho
saída
tiro casca da ferida
até hoje
não há cura
para meu mal de ternura
haja
o que ouvir
seja
como força
venha
como vida
aja
o que houvier
nosso amor um pic-nic
estou no maior pique
sou incontido dique
tenho insondável psique
não há nada em que não me arrisque
me permita que eu te disque
se te ver deixa que eu pisque
se eu for peça para que eu fique
de tudo menos de mim abdique
querendo te dou meu cic
te confesso meu nick
me revelo num clic
até já estou mais liric
te escrevo poemas com bic
(computador não complique)
esse amor é simplesmente chic
livre
arbítrio
o certo
pelo duvidoso
não troque não é vantajoso
o sim pelo não
vai depender da situação (ou está fora de cogitação?)
o bem pelo mal (o bom pelo mau)
e acaso me lê algum boçal?
o dia inteiro pela noite afora
para guarda noturno negócio da hora
os pés pelas mãos
dependerá da escalada pelos desvãos
uma coisa pela outra
uma coisa é uma noisa noutra loisa é doutra
o tudo pelo nada
contudo resultando em obrigado: de nada!
eu por ti (tu por mim)
que amém seja sempre assim
o tanto fez pelo tanto faz
desde que guerra resulte em paz
uns pelos outros
se ficar tudo na mesma e a turma for de acordo
cem por sem
como se alguém fosse ninguém
três por quatro
e afinal qual é o trato?
elas por elas
desde que sejam todas belas
um por um
em conformidade com o conformismum
seis por meia dúzia
fica com a metade da mesmice
o dito pelo não dito
e o disse-me-disse
olha
escolha
colha
ou não
antes
livre
antes de
mim foram tantos os poucos recantos da paz do sem-fim
antes de ti foram restos palavras protestos na sombra do além
antes de deus foi o homem pecado sem nome sem paz nem além
sente e
esquece e resista e penetre e insista e fale e cale e chore e cante e erga os
braços
és livre meu bem
o
texto do dia
o texto
atestado
o texto detestado
o texto no contexto
o ex texto
o x do texto teto
o texto teste
o texto txt
o texto na testa
o texto testemunha
o texto testosterona
o texto
não este
outro
o texto
b.o. - boletim de
ocorrência
dei de
cara
contigo
deste de
testa
comigo
batemos
de frente
olho no
olho
umbigo com umbigo
boca a
boca
nariz a nariz
resultado:
beijos
até de esquimós
desde
então
cá estamos nós
sempre
juntos
nunca sós
não
trombamos
nos apaixonamos
estilo de ser
não
consigo
a fórmula
(nada
transtorna
tudo entorna)
mas
persigo
a forma
(ela
contorna
a mim retorna)
e fustigo
a norma
(essa
inconforma
noutra não torna)
vem!
vem que
tem
vem de trem
vem de bem
vem que vem
vem bem zen
vem com sem
vem por bem
vem do aquém
vem do além
vem meu bem
vem sem porém
vem ver alguém
vem ser também
vem sem bens
vem de benz
vem sem nem
vem meu neném
vem da nuvem
vem do amém
vem do ah nem
vem do harém
vem sem ninguém
vem por mim
vem!
quem como eu já comeu
dou razão
faço gosto
fico emocionado
quem como eu
já comeu pão
com suor do próprio rosto
sabe o quanto é salgado
coincidência
narciso
no espelho das águas
ad
mirou-se
a lâmina
líquida
por um instante
estremeceu
(narciso chora)
deformando a imagem
que mirava
é que
naquele lago
àquela mesma hora
o patinho feio
nadava
crime bíblico
tinha que
ser
Caim matou
a bel prazer
pelancas
para pitanguy
o que
seria drástico
se torna fantástico:
quem ama o feio
despreza cirurgião plástico
filme de terror
a tensão
câmera
sombra
ação
assombração
chamas
entre
lava
de vulcão
e larva
de borboleta
a explosão
bela e leve
belíssima
levíssima
a erupção
do planeta
destruição breve
ilusão levíssima
cena belíssima
louca visão
a borboleta
voando em vão
em único e último
vôo sobre o vulcão
comunicação
ao me
comunicar
arrisco tudo
entre o falar
e o ficar mudo
o alegrar
e o ser sisudo
o desbundar
e o carrancudo
sei fantasiar
não me iludo
posso desprezar
mas ajudo
vou me igualar
me transmudo
posso abandonar
mas acudo
vestir desfilar
ando desnudo
cantar e calar
grave e agudo
ao me comunicar
o risco é arriscar
arrisco tudo
diferentes
uns se
acomodam
mas como eu
outros se incomodam
conclusão
não não
me iludo:
nada é igual
a diferença é tudo
e perspicácia
a vida
requer eficácia
a hipocondríaco não convém
ser dono de farmácia
posso
até brochar
se não me
concentro
quando estou fora de ti
não dou uma dentro
desdizendo
falando
de modo banal:
antes acompanhado
do que só mal
desastrado
revela
teu lado artista
mete os pés pelas mãos
e te acharão contorcionista
Deus é
mesmo brasileiro
está mais
que provado:
porque no sétimo dia
decretou feriado
reinados naturais
o leão é
o rei
da selva
o grilo rei da relva
lusco-fusco
pirilâmpico
os tempos
estão mudados
ou os vaga-lumes sumiram
ou estão todos apagados
como vovó já dizia
minha
bisavó fez terapia
e para ela dr. Freud não era
homem de muita psicologia
bem a
seu modo freqüentou altas rodas
bem a seu
modo
pensou estar enganando
todas as pessoas o tempo todo
freqüentou
altas rodas
onde foi enganado todo o tempo
pelas pessoas todas
vai fundo!
é apenas
uma rima
não há mesmo solução
e ainda por cima
a constatação
por mais vasto que seja o coração
ó drummond raimundo:
o homem sempre acaba
antes do mundo
a dissimulada
ao te ver
exibindo
na maior vaidade
tua dupla personalidade
e achando tudo lindo
de acordo com teus costumes
tão bem padronizada
eis que me pego pensando:
até a faca de dois gumes
deve ser amolada
de vez em quando
na lata
te juro:
o que achas
saber não procuro
lição de vida
e pensar
que os erros
nada te ensinaram
tudo o
que sofremos
depois do que vivemos
e nem as dores adiantaram
sei de
tudo agora que estamos sós
mas por te achares bem preparada
pareces tão desinteressada de nós
e como não queres saber de nada
a gente não mais se entende
é melhor
que nosso amor se acabe
pois só se aprende
quando não se sabe
só se aprende
quando não se sabe
o sol quem diria
o sol
o sol nasce
o sol nasce para todos
mas para
alguns o sol não precisava nascer
o sol não precisava nascer para quem gosta de sombra
o sol não precisava nascer para quem gosta de água fresca
no
entanto o sol nasce sombra para quem gosta de água fresca
o sol nasce fresco para quem gosta de sombra
o sol é caloroso mas à sombra é muito fresco e bebe água