todas as manhãs do mundo
ainda outro
dia
numa página branca
apareceu escrito:
Ana Clara
meu relógio não faz mais tic-tac tic-tac
tic-tac tic-tac
tic-tac
e sim ana-clara ana-clara ana-clara ana-clara ana-clara
ana-clara
o trem da minha vida fora dos trilhos não descarrilou
mas pontua: anaclaranaclaranaclaranaclaranaclaranaclara
em meu peito o coração já não bate tum-tum-tum-tum-tum
não pára dispara: a na cla ra a na cla ra a na cla ra a
na cla ra a na cla ra
o telefone aqui não toca o normal triiimmm triiimmm
triiimmm triiimmm
mas anaclaaaaraaaaaa anaclaaaaraaaaaa
anaclaaaaraaaaaa
anaclaaaaraaaaaa
os números de meu cpf e de minha identidade agora são
ana.cla.raa-lm eid.asó
Ana Clara:
minha senha meu pulsar meu pensar minha impressão digital
a
íris de meus olhos meu e-mail minha oração
minha poesia meu trabalho minha saudade minha fala
minha pátria minha alma meu sono meu descanso alimento
meu recomeçar meu eu meu tudo meu terceiro olho paisagem
nova irmã imã de laurandré e eu e Deus
sementinha do ser,
será
futura árvore frondosa
na paisagem, é perfeição do já,
alvorada luminosa
passarão os segundos
os minutos
as horas
os dias
as semanas
os meses
os anos
a eternidade
do amor só quererei a luz
de minha minha Ana Claridade
Ana, de manhã
é manha e mañhana
à noite, a branca lua
te denga e deixa mais clara
não és filha da tristeza de um adeus
nem filha da alegria do amor realizado
és filha da saudade, dos sonhos meus
filha, és poesia (e eu estava inspirado)
noite
Anaiteço
manhã
Claraeço
24 horas
te lembro
nenhum segundo
te esqueço
escrever uma fábula
narrar uma parábola
contar uma epopéia
entender uma epístola
acreditar numa fada
encontrar um duende
tornar boa uma bruxinha
por quê?
pra quê
se eu tenho Ana Clara
se Ana Clara é minha
se em Ana Clara a fantasia
mistura-se ao encanto da magia
pensar é quase
tocá-la
ó imaginação, me embala
nana neném no berço da miragem
ou dorme em braços
(extensão de mim)
sonha em meu colo
(sementinha e raiz)
seu papai é um silêncio só
e seu amor, indesatável nó
A filha
caçula do poeta
A filha caçula do
poeta veio do amor
rodeada
de borboletas coloridas,
entre nuvens branco-róseas e passarinhos fagueiros,
muitos beija-flores com seus corações e asinhas a mil.
Ventava de mansinho naquele meado de tarde de dezembro.
Trouxe uma covinha na face direita.
Seu primeiro choro foi de coragem,
lágrimas de querer viver completamente.
Seus olhos fitaram o novo mundo.
Viu as cores, deslumbrada.
Não teve ar suficiente, mas respirou ansiosa.
Saiu de um verso, toda prosa.
Com o frescor de seu cheiro de nascença,
a suavidade mansa de sua presença
revelou-a uma criaturinha gostosa.
Presente de Deus,
a filha caçula do poeta nasceu para alegrar a todos os seus.
Sua existência invadiu a rotina de nossos sonhos.
Alimenta nossos corações de esperança.
Ela é linda. A mais bela poesia de todos os tempos.
O poeta vê em sua filha mais nova o refino de sua inspiração.
A realidade de sua eterna ilusão.
Quero ver-te ensaiando os primeiros passinhos,
usando coisas de menina, lindos vestidinhos,
falando mamãe, papai, vovó, vovô...
Telefonando alegre pra mim: alô.
Brincando com seus irmãozinhos.
Mimada, querida, cercada de carinhos.
Vaidosa, estudando, aprendendo,
minhas cartas e poemas lendo.
Ana Clara, juro!
Já estou com saudade desse futuro...
Que sonho!
Os pezinhos de minha menina
parece que estão com vontade de caminhar!
Não, talvez já queiram correr.
Até mim, Ana Clara?
Já estou com meus braços abertos
para o abraço gostoso que vou ganhar
(pois sei que é nisso que sua pressa vai dar)
Fala o coração
anaclareante:
...O tanto que te amo
não
cabe em meu silêncio...
Ana
de porcelana
cara
Ana Clara
de porcelana
rara
“Na hora do banho
me assanho -
que sensação de emoção.
Na hora do banho nado,
surfo, bóio, me esbaldo
me divirto de montão.
Na hora do banho sorrio,
minha banheirinha é um rio,
pesco um peixe de sabão.
Na hora do banho fico leve,
e por mais que demore, é breve
a minha higienização.
Depois do banho, a melhor pedida
é relaxar, mamar, dar uma dormida,
já sonhando com a próxima sessão”.
A voz de Ana Clara se
ensaia suave
(não é nem aguda nem grave).
Sua fala será meiga e calma.
Qual o som puro de sua alma.
Ela dirá tudo com amor.
Sua palavra virá como um beija-flor.
Tudo soará a festa
(beija-flores na floresta).
Suas palavras virão aos feixes,
inundando falantes rios de peixes.
Ana Clara já quer falar de tudo.
E eu que tudo já falo, fico mudo.
Ana Clara, com esses olhos,
com essa boca, com essa cara,
já esboça todo encanto
de beleza que não se compara.
Ana Clara, com essa beleza
que já se revela rara,
é arte final perfeita
que à vista se declara.
Ana Clara, com esse jeito,
esse brilho, essa gracinha,
de neném virou menina,
e de menina, mocinha.
Ana Clara já é mocinha,
amada como ninguém.
Meu amor por Ana Clara
me faz amado também.
Diga boa noite à
noite
que ela é estrela enluarada
Diga bom dia ao dia
que ele amanhece sorrindo de madrugada
Diga obrigada a tudo
e tudo lhe responderá: de nada.
Diga não ao que for ruim
que o melhor só lhe dirá: sim.
Ao desejar algo diga: tomara.
E receba tudo de bom, Ana Clara.
A lua quer te conhecer
A lua
estranha
que aprende
língua
estranja.
A lua
crescente
que surgiu
no céu
de antigamente.
A lua
minguante
que boiou
na mão
da cartomante.
A lua
cheia
que inchou
qual bola
de meia.
Ana Clara ainda não sabe
- mas como quer falar!
Sua linguagem já não cabe,
não cabe somente no olhar.
Balbucia, ininteligível,
frases doces de emoção.
Entende-as o pai sensível,
e a mãe, com o coração.
Ana Clara fala de tudo,
tudo fala com graça e vida.
Deixa tonto um pai mudo,
extasia a mamãe querida.
Ana Clara, Ana Clara,
menina, que linguagem é essa?
Começa a falar e não pára,
quer aprender e tem pressa.
para os 10 meses da mocinha princesa
Ana Clara
meu passarinho
passarinho verde passarinho azul
minha arvorezinha viçosa e florida
pedacinho de terra semeada: canteirinho
a menininha linda num pátio escolar
o sininho soando lindo em meu altar de amor
uma florzinha do mais colorido cheiro
e da mais perfumada cor
Ana Clara
gotinha de chuva com jeito de lágrima
meu bichinho único da espécie eumuitorarus
mina brotando água clarinha e eu tenho sede muita sede
meu arco-íris com uma corzinha para cada fim de tarde
estradinha retinha chegando à porta de minha casinha campestre
manhã de abril em meu céu e sol
Ana Clara
tela branquinha para tintas pinturas criações e cores
cheirinho de pão matinal cachinho de trigo madurinho
ao sol
filhotinho de cisne aprendendo a arte do vôo
à margem de um lago tranqüilo
página de um livro por escrever para um só par de olhos ler
som de flauta musical leveza da alma de quem vive longe longe longe
sou o mínimo para ti mar da simplicidade que
procuro para ser sempre
frutinha do campo sorvetinho de coco chocolate crocante
vontade de morder arrancar pedacinho
guardar num cofrinho fazer um chaveirinho até virar poesia
mocinha quilômetros de infinito horizonte do nascente e poente
amor: resumo de tudo síntese de uma história que chegou ao fim
amorzinho nascido no adeus indefinido do sentir inconcluso
Ana Clara
estrelinha única no imenso céu oco de mim
que fui pensei ser amei tanto e agora reaprendo contigo
a arte de crer na vida
és festa em nome da alegria
não posso te olhar mas te vejo
não falas comigo e me ouves
distantes nos entendemos com a falta que um sente do outro
em meio a tudo (que é nada) ante o amor maior que ambos nutrimos
e pela compreensão da parte que tens de mim
essência do todo integralmente tudo
o que há de nós é vida o que há em nós é poeticamente maior
inspiração do melhor sentimento
ninando aninha
1)
ana clara descobriu:
a arca de noé
encalharia num rio
2)
era uma vez uma bruxinha
atrapalhada
sempre confundida com uma fada
3)
"vou à casa da madrinha
o sol está quente
levarei minha sombrinha".
4)
nossos filhos: nossos amores
ana clara brotou
como florzinha entre flores
5)
ana clara tão pequenina
e já revela com seu jeitinho
coisas de moça-menina
6)
me fala, me diga:
se ana clara chora
é dorzinha de barriga?
7)
toda sapeca
com ana clara no colo
Laura brinca de boneca
8)
encantado, senhorita
que coisinha
mais bonita
9)
ai, ai
ela é a cara
do papai
10)
ela trouxe estrelas
cabe a nós
colhê-las
11)
ana clara ana clara
preciosíssima
jóia rara
12)
como ainda não pode falar
ana clara
tem palavras no olhar
13)
que encanto
te amar
tanto, tanto
14)
ana clara
veio do céu
que azulara
15)
uni duni tê
mamãe com
e eu sem você
16)
É nisso que dá ter um pai romântico.
Corre ao dicionário,
filha minha, meu anacâmptico.
17)
Ana clarinha
Aninha clarão
Minha luzinha
18)
Fica nessa margem, quietinha.
Papai ficará nessa de cá,
nessa outra margem aqui.
Há um rio entre nós.
As águas não estão calmas.
Um dia atravesso a nado.
Mergulharei em ti.
E de afagos me afogo.
19)
Com seu anel de pedra rara,
Ana Clara
clareia o sol
que ensolara
O anel de Ana Clara
é o sol que iluminara
minha cara
com sua suave carícia.
O olhar de Ana Clara
anela mais que Deus
imaginara
em meio a tudo
ao desconforto
da incompreensão
a toda mágoa
à indiferença
ao amor latente
esta flor
gente
minha menina
consciente
sorri
chora
sente
muito
uma
verdade
me invade
assim
Ana Clara
(tá na cara)
mais André
e Laura
são 100%
de mim
ela
ela
meu passarinho
passarinho verde passarinho azul
minha arvorezinha viçosa e florida
pedacinho de terra semeada: canteirinho
a menininha linda num pátio escolar
o sininho soando lindo em meu altar de amor
uma florzinha do mais colorido cheiro
e da mais perfumada cor
ela
gotinha de chuva com jeito de lágrima
meu bichinho único da espécie eumuitorarus
mina brotando água clarinha e eu tenho sede muita
sede
meu arco-íris com uma corzinha para cada fim de tarde
estradinha retinha chegando à porta de minha casinha campestre
manhã de abril em meu céu e sol
ela
tela branquinha para tintas pinturas criações e cores
cheirinho de pão matinal cachinho de trigo madurinho
ao sol
filhotinho de cisne aprendendo a arte do vôo
à margem de um lago tranqüilo
página de um livro por escrever para um só par de olhos ler
som de flauta musical leveza da alma de quem vive longe longe
longe
sou o mínimo para ti mar da simplicidade que procuro para ser sempre
frutinha do campo sorvetinho de coco chocolate crocante
vontade de morder arrancar pedacinho
guardar num cofrinho fazer um chaveirinho até virar poesia
mocinha quilômetros de infinito horizonte do nascente e poente
amor: resumo de tudo síntese de uma história que chegou ao fim
amorzinho nascido no adeus indefinido do sentir inconcluso
ela
estrelinha única no imenso céu oco de mim
que fui pensei ser amei tanto e agora reaprendo contigo
a arte de crer na vida
és festa em nome da alegria
não posso te olhar mas te vejo
não falas comigo e me ouves
distantes nos entendemos com a falta que um sente do outro
em meio a tudo (que é nada) ante o amor maior que ambos nutrimos
e pela compreensão da parte que tens de mim
essência do todo integralmente tudo
o que há de nós é vida o que há em nós é poeticamente maior
inspiração do melhor sentimento
antropofágico
dependendo da carne humana
canibais se tornam vegetarianos
mas para não se tornarem (entre os seus) anti-sociais
ainda comem as floras intestinais
O sol e a manhã
p/ Atena S
Assim será a face
clara da manhã
Qual noiva de um deus
seu véu explode em luz
Sobe ao altar
de sua força faz o dom
O sol que ensolara
louco se declara
à virgem manhã
Cor
que festa multicor
Na brancura da noiva
um noivo pintor
Sol
delirante de luz
na tela reproduz
as imagens do amor
Luz
o verbo que se fez
com alva altivez
os conduz a um vão
E
no túnel do amor
uma manhã de sol
amanheceu
nos despertou
charutos e mísseis
não
como Mônica Lewinsky
mas chupo
de Paulo Leminsky
Todos os
homens nascem iguais
Todos os
homens nascem iguais
Só que alguns podem fazer cirurgia plástica
Todos os
homens nascem livres e iguais
Não necessariamente nesta ordem
Todos os
homens nascem iguais
Vivem desiguais e morrem igualmente
Todos nascem
iguais perante a lei
Só que alguns passam por um julgamento prévio
Todos os
homens nascem iguais
E alguns são idênticos
Todos os
homens nascem iguais
Só que alguns não choram
Todos os
homens são iguais
perante as imperfeições
Todos os
homens nascem iguais
perante as leis indiferentes
Todos os
homens nascem livres e iguais
Aí crescem presos às desigualdades
ela não me entende
por mais paciente
que seja
ninguém sabe
o que se passa
na cabeça
de uma psiquiatra
meia-noite e um
não se preocupe
gatinha borralheira
aquela estória
da carruagem de Cinderela
é uma grande abobrinha
A Ilha
"Oposição,
em Cuba,
eu,
Fidel,
castro..."
Letters
meu bem me pede
para explicar o que é escrever
o que é escrever
o que é escrever
o que é escrever
matutei por instantes
escrever é um constante repetir
vogais e consoantes
Fim de
caso
fico calado
só olhando
ela não pára de falar
fala fala fala
não se cala
quando a chamei pra um plá
não era exatamente blablablá
ela não entende
acho melhor desconversar
meu silêncio é feito
de palavras mudas
meu silêncio
amplifica reflexões
Deus
Deus
perdeu a fé
no homem
Doloridinha
amor, chora
não se envergonhe
não se acanhe
chora
chora, amor, chora
chora que a mágoa evapora
As três
irmãs mineiras
Veronice
comprou o quadro
pela moldura
Berenice
ficou com o livro
por causa da capa
E Cleonice
não é muito chegada a pintura
muito menos a literatura
Amorexia
Amorexia
é redução
ou perda de apetite
por amor
Não confundir
com anorexia
que é inapetência
fome de isopor
Sozinho
sem ninguém
eu nasci para meu amor
e meu amor está para nascer
end não
no fim de tudo começa de novo
no fim de tudo começa
no fim de tudo
no fim
no
no fim
no fim de tudo
no fim de tudo começa
no fim de tudo começa de novo
Burro
justo eu que te dei
tulipas holandesas
papoulas colombianas
ai de mim
sozinho estou pastando
ainda bem que tem capim
Diana Krall, te amo
When I look in your eyes.
Love Scenes. Teus dedos suaves,
Diana Krall, deslizando no piano. Meu corpo é Sol.
Tua voz quente, Diana Krall, em tons de veludo.
Cochichas em meus ouvidos. Tua beleza, Diana Krall, é
mais que música. É sutil. Te idolatro com a mais
desejosa paixão do instinto macho. A tarde é azul, com sublimações orgásticas.
O delírio de ouvi-la rouca é magia. A melancólica febre sentimental de um
coração sem inquilina. Ele te abre as
portas. Entra em todos os seus quartos e sensual entoa teu jazz, teu pop, tua
música de cabaré, tua sonora poesia. Sempre romântica e linda e perfeita. Te aprecio profundamente. A arte mais bela é tudo em ti.
Confundem-se a melodia e a harmonia-mulher. Minha contralto
divina. Derreto-me com teus standards dos anos 50.
Sonoridade de entorpecer. Vivo momentos de intensa solidão e nostalgia. És meio ingênua, eu sei. Tua seriedade não é frieza, é? Flui
em meu sangue. Inconfundível garota. Te amo, Diana Krall. Ah, meu amor jorra do timbre de tua voz. Meu amor
assombrado com teu glamour. Ouve minha declaração com humildade. Em silêncio.
Jamais te trairia, tu bem sabes. Tu és uma de minhas seis mulheres queridas. Billie Holiday, Sarah Vaughn, Abbey Lincoln, Cassandra
Vovó
veio ao mundo
brincou de boneca
brincadeiras de roda
de pique de esconder
pulou amarelinha
quebra cabeça
num grande tobogã
jogo de damas
jogou cartas
passou anel
jogou na loteria casou
jogou arroz e buquê
jogou sempre com ele
ossos para os cachorros
milho para as galinhas
fiou fez tricô faz crochê
hoje joga jogo da velha
coisa de criança
BRINCADEIRAS
DE (NA) RODA
1
A carrocinha
A carrocinha
pegou
três gatinhas de uma vez
Au au
au
a gente late
Au au au
mas quer miar
2
Ai, eu entrei na roda
Ai, eu entrei
na roda
Ai, eu não sei se te conto
Ai, eu fiquei um "tantotonto"
Ai, eu não sei contar
Sete e sete
são dezoito
Três ‘vêz’ oito trinta e nove
Tenho nove namoradas
mas só uma é o my love
3
Atirei o pau na gata
Eu dei o meu
pau pra gata-ta
mas a gata-ta não me deu-deu-deu
Fora pica-ca ela disse-me
Foi aí foi aí que o pau comeu
Uau
4
Cai cai balão
Cai Zepellin 14 Bis
na rua do centrão
Avião avião explosão
duas torres tão no chão
5
Capelinha de melão
Capelinha de
melão
é do Sô João
Ele é Rosa Riobaldo
é Grande Sertão
Sô João tá na vereda
com Manuelzão
Não diz não só diz sim
pra Diadorim
6
Escravos de Jó
Escravos de jobs
brincavam de criar
Dupla cria
o verbo publicitar
Criadores
criativos
fazem blog, blog já
7
Fui no Tororó
Fui no Tororó
choveu e deu quiproquó
Fiquei só com uma morena
bem no meio do toró
Ponho aí põe
aqui bem molhadinha
Ai chuvinha moreninha que delícia que é você
Preparando
aula de crise existencial
O
existencialista Jean-Paul Sartre
num dia em que não estava fazendo nada
absolutamente nada
deu de “nadificar” tudo
(Pelo nadificar
a consciência exerce o modo de ser
que lhe é próprio
e torna para-si o que é em-si
e o modo de ser é anulado)
Sua mulher Simone
traduzia bem o que era nadificar
"Com Sartre nada de ficar, entende?"
Se de lingerie
ela o chamava:
"Mon amour,
vem cá"
Ele dela se esquivava
e entre ambos aumentava
a distância que havia
qual O Muro e A náusea
Sempre
longínquo alheio
em completo afastamento
Sartre não
era de vou ir
Sartre não era de vouar
Sartre deu de nadificar
Pobre mademoiselle de Beavouir
Foi então que deu
seu processo d'eradificar
de caos e de breus
no mundo incriado tudo era nada
era tudo um nada só
nenhuma coisa
coisa nenhuma
coisa alguma
era a própria não existência
a grandiosidade insignificante
tudo sendo um não-ser
inexistia o eu-negação
o limite no limite de si
a humana finitude
o nada-angústia
nada de nada
absolutamente nada
nada dos nadas
nadica de nada
podendo dar em nada
resultar em nada
ser desimportante
como coisa à-toa
uma coisinha de nada
mínima quando nada
nada nada nada
criado o mundo do nada
a luz vazia do nada agradeceu:
“obrigada”
o criador nada respondeu:
nem ao menos um “de nada”
doce olhar
doce olhar de quem me vê assim
à procura de um lugar
vou seguindo a vida até o fim
onde chego a me encontrar
se bastasse a dor do que ficou
na esperança de voltar
hoje vejo o que é um coração
quando ama quer me maltratar
Secretamente
em mim
eterna
eternamente
eternizada
eternidade
eternal
por um momento
mas para sempre
teve início para não ter
ser sem fim
PODEM RIR.
É SÉRIO.
Esqueci de lhes dizer. Sou redator publicitário e
diretor de criação. Trabalho numa agência inusitada. Essa semana, por exemplo,
decidimos que o contato vai oferecer a clientes em potencial sugestões, modelos
de epitáfios. Está sendo costurada uma parceria com uma marmorearia que
confecciona túmulos e com uma funerária de porte da cidade. É,
amigos, a coisa está pela hora da morte. Hoje consegui criar sete
frases. Foi um dia difícil. Confesso, estou com cara de velório.
Epitáfio:
"Aqui estou! Pela última e, de uma vez por todas, definitiva".
Sugestão para epitáfio: "Aqui jaz o cara mais rico deste cemitério".
Epitáfio de um justo, para ser gravado em seu lindo jazigo: "Aqui jaz quem
fez jus".
Epitáfio para um sonâmbulo mau humorado: "E
agora, posso dormir sossegado?!"
Epitáfio de um vaidoso: "Fui lindo de morrer”.
Epitáfio para um roteirista de cinema: "The
end".
Epitáfio para um mestre de karatê. “Em sinal de luto,
usem faixa-preta”.
Além do mais, não custa nada lhes dizer, elaborei
também algumas frases chaves (para não dizer chavões) para o contato sair a
campo, vendendo a “idéia”. Que sacada. Coisas do tipo...
Em última
análise, a morte é o finalmente de tudo.
O tudo durante a vida é o nada depois da morte.
A morte é um sono profundo, mais que a cova.
A morte é o fim de sempre e o início do nunca...
O ruim da hora da morte é que se vive só até lá...
A morte não é o fim de tua eternidade. É apenas o início.
Todos nascem iguais e a morte vem igual para todos.
Deixem o
George War Bush guerrear em paz!
e quando me disseste que o buraco era mais embaixo
eu deveria ter entendido que o buraco era mais fundo
agora se vieres perguntar o que eu infelizmente acho
acho que a Terra vai virar um buraco negro do mundo
Ao longo
dos dias - Outubro
para Ellen, dentro de uma vitória régia, lá longe
ontem ao findar a tarde ela me pediu:
- resuma outubro numa só frase
e me deu 24 horas para a tarefa
passei boa parte da noite pensando
amanheci com o pedido (uma ordem) na cabeça
é difícil falar sobre outubro
é quase impossível escrever sobre outubro
outubro é um mês que passa pelo calendário
tirante as cigarras o tempo de cor incolor
outubro é mesmo um mês despercebido
então entrei no processo de criação
pesquisa matutação maturação a idéia enfim
em outubro dentre tantas homenagens
muitas datas são comemoradas
os Anjos da Guarda são reverenciados
as Abelhas
as Aves e os Animais
o Rádio
a Ecologia
a Anistia
o Poeta a Poesia
a Natureza
o Cão
São Francisco de Assis
o Compositor
o Idoso
o Nordestino
o Direito à Vida
os Correios
a Luta da Mulher Contra a Violência
a Criança
o Descobrimento da América
o Mar
a Raça
Nossa Senhora Aparecida
o Fisioterapeuta (aqui entra a Ellen fisiopublicitá)
o Professor
a Normalista
minha Minas Gerais
o Profissional de Propaganda
o Médico
o Pintor
a Aviação
Manaus (a Ellen de novo aqui)
a Democracia
o Sapateiro
o Músico
o Funcionário Público
o Livro
as Bruxas
a Juventude
conclusão: o discreto outubro é um mês essencial
logo mais a amiga que me deu essa incumbência
passa aqui para me ler
- dentro do prazo legal
eis a minha sintética frase:
outubro é o mês 10
O Antropófago
Anti-Moderno
Sim, claro, lógico, sou da Antropofagia. E
hei de seguir deglutindo tudo, do bom e do melhor, inclusive na hora do
bem-bom. Mestre Oswald de Andrade publicou seu Manifesto Antropófago em 1928.
Quando conheci este texto e a obra toda do escritor, jovem ainda, pirei de vez.
Minha subliteratura nunca mais foi a mesma. Ocorreu um
divisor de águas. Paradas, correram. E aí li todo o Mário de Andrade também.
Entre dois “inimigos” respeitosos, conheci do segundo a “gramatiquinha
da língua brasileira”. Nossa, deu um nó na minha cabeça. Untei a máquina
pensante. Escrachei com o purismo. Até hoje brinco
com as palavras. Gosto da língua. Mas não essa íngua... Ficar inventando, sem
fronteiras. Pensamiento sôrto.
Que el mundo non tiene portêra miesmo.
Me manifesto e reescrevo. Como quero e me atrevo. Antropófago faminto minto. Livre livre livre. Esculhambando
com a coisa, melhor dizendo.
Só a
antropofagia nos une. A caretice nos pune.
Única lei do mundo. Expressão mascarada. Vou fundo.
Tupi, or not tupi. Too me. Viva a eMeTiVi.
Só me interessa o que não é meu. Eu mais eu mais eu.
Maridos católicos. Mulheres crentes que vão gozar o céu do céu. Nem Fróide ixprica.
A roupa deixa cada vez mais à mostra. A nudez. Há nu dez.
No país da cobra grande, o negócio é dar o bote.
Importamos consciência enlatada. Mentes em conserva. Idéias de sardinhas.
A revolução Caraíba. Sai de riba, sai de riba. Ô biriba.
Ah, a revolução Francesa, mon amour,
je taime, mon cherri, cumê
suã faz suar.
Viva todas as girls. As loiras são inteligentes. Elas
oxigenaram a água.
Caminhamos. Encontramos o lugar nenhum. Que é melhor que o comum.
Fomos catequizados. Cristo não sabia que nasceria numa estrebaria e no final se
estreparia.
A lógica nasceu entre nós. Mas não tem base.
Recorremos aos agiotas. Fizemos papagaios. Não deu pé.
Um rei-analfabeto inventou nosso a-bê-cê-dê-é-efe-gê.
Nosso país tem tanto açúcar quanto sal. Mas a lábia é doce. A saliva, não.
Portugal nos descobriu. Começou daí a piada bem contada.
De todos os animais, racionais e i, o porco é o que mais tem espírito. Mais que
o homem.
Tabu não tem nada a ver com tabuada. O totem pode não ter.
Siga com o stop. O pensamento é louco. A mente é
demente. O índio USA US Top.
Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Roteiros. Arroteei
arrotos.
O instinto é distinto e sucinto. O meu enrijece quando o sangue sobe à cabeça.
Meu Cosmos sou eu. Mas eu nunca joguei no Cosmos.
Carnaval. Joãozinho Trinca. Alegorias fantasiosas. O Bra
il entre o S e o Z. É Braszil.
É melhor ser comunista rico do que capitalista pobre.
Morreu, acabou. Só há morte depois da vida.
Também perguntei a um homem o que era o Direito. Ele errou. Não acertou. Adevogadinho.
Não dai a César que César não é de comer. Nunca foi a praia dele. Aquele louro
na cabeça...
Mistério? Hiticóque foi casado com Agatha Cristhie e ninguém sabia. Nem eles.
A televisão levou o homem à lua. A apolo
com imagem e som. Válvula de escape. Transístor que
prende a modernidade.
A mentira muitas vezes repetida virou natal para jingle Goebells.
O Jabuti Barrichelo. O cagadinho
implora: não corra, papai.
Deus é brasileiro. Não sei como. Isso aqui não é o céu.
Nossa política inaugurou a ética da titica. A melhor decisão
é ficar indeciso.
Santos Dumont, inventor do relógio de pulso, desmunhecou e teve poucas horas de
vôo.
Com essa estória de cegonha, as crianças são levadas (ou trazidas) no bico.
Deus é ateu. E o diabo crê no coisa-ruim.
Moisés cruzou o Mar Vermelho. O cara era chegado num cajado.
A alegria é a prova dos noves fora de hora. Desde 1499.
Meu pai é matriarcal. Já mamãe é patriarcal.
Sou concretista alicerçado. O cimento é a base. Subo pelas paredes.
O amor não é ciência e nem arte. Mas também não é só sacanagem, pô.
Contra eu, contra mim, contramigo.
Os sete pecados capitais agora são setenta e sete.
O céu está cheio de virgens. Que pecado.
O filho de D. João VI namorava uma mulher mais velha. O rei disse: - Meu filho,
tira essa coroa da tua cabeça...
Antes cheiravam rapé. Agora cheiram até pó de café.
de Rompe-Nuvem
a quem interessar possa
ninguém me lê
ninguém me escreve
nem mesmo você
que é curta e breve
será por quê
não se atreve?
vem e vê
se sinta leve
se está deprê
aí é que deve
da vida está pê?
so you have
vai de A a Zê
tem sol e neve
não descrê
não faça greve
em casa no apê
aqui ou em Kiev
deixa de miserê
me escreve
e me lê
me lê e me escreve
Aí eu peguei aquelas Expressões Brasileiras de nosso dia, e dei de fazer
complementações. Sabe, coisa de quem está sem o que fazer no momento... E percebi
que essa invenção de moda pode atrair a curiosidade de muita gente. Então,
sendo assim e assim sendo, aos poucos vou publicando aqui para seu deleite.
Isto é, se agradar... Ou você tem preconceito contra o besteirol,
o kitsch e o non sense?..
A cobra
vai fumar
(e se não der câncer vai brochar)
A coisa tá preta
(principalmente para quem consome muita branquinha)
A coisa tá russa
(pois vejam só o preço da vodka!)
A la vonté
(seu babaca cheio de vontades...)
A mil
(e eu em dois mil e dois)
A torto e a direito
(sim, pau que nasce torto nasce a)
A vaca vai pro brejo
(que fica às margens do Rio Tejo)
A ver navios
(pelo menos em Minas, não vi-os)
Abotoar o paletó
(ou seja, voltou a ser pó)
Acertar as contas
(mas por enquanto agüenta as pontas)
Advogado do diabo
(não aceita como pagamento um Deus lhe pague)
Alma penada
(então não vale a pena nada)
Arrebentar a boca do balão
(foi o que disse o inventor do Zepellin)
Assim, assim e assado
(pensou o cara que pegou o maior frango)
Assobiar e chupar cana ao mesmo tempo
(assim fizeram os usineiros na época do Collor)
Até Deus duvida
(do que nós humanos somos capazes de fazer)
Não larga a barra da saia da mãe
(pode saber que puxou ao pai)
Bode expiatório
(tem muito cabra macho que é)